Trabalhadores dos ENVC
manifestaram-se em Lisboa

«Queremos construir»

Mais de 500 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) manifestaram-se, anteontem, em Lisboa, em defesa da viabilização daquela empresa pública e contra os despedimentos.

Estamos a assistir a um crime por asfixia

Image 12844

O protesto iniciou-se no Saldanha, seguiu para a sede da Empordef, holding pública para as indústrias da Defesa, na Rua Braancamp, e terminou na Calçada da Estrela, junto à residência oficial de Passos Coelho, onde os trabalhadores entregaram uma resolução a reclamar a viabilização dos Estaleiros e a pedir que o processo de reindustrialização comece com a garantia de futuro da empresa de Viana do Castelo.

«Viabilização sim, privatização não», lia-se na faixa que abria o desfile, encabeçado pelas mulheres dos trabalhadores dos ENVC. «Estaleiros unidos, jamais serão vencidos», «O trabalho é um direito, sem ele nada feito», «Chega de destruir, queremos construir» e «Passos escuta, estaleiros estão em luta», foram algumas das palavras de ordem entoadas durante o percurso, parcialmente feito à chuva.

Neste momento a viabilização da empresa passa por haver uma disponibilidade de 13 milhões de euros para que a Administração possa fazer a aquisição de matéria-prima para o arranque de dois navios asfalteiros para a Venezuela. Durante o protesto os trabalhadores explicaram que, se até 31 de Março não for tomada uma decisão pode haver uma rescisão do contrato, que tem o valor de 128 milhões de euros, por parte da PDVSA – Petróleos de Venezuela.

A esta manifestação juntou-se o secretário-geral da CGTP-IN, que valorizou o «enorme potencial» destes Estaleiros «para trabalhar com o estrangeiro», sendo a Venezuela disso um exemplo, e para «estabelecer protocolos comerciais com países africanos de língua portuguesa». «Temos pessoas com competências e qualificações para produzir mais e melhor», disse Arménio Carlos, lembrando que estes trabalhadores andam a lutar há três anos pela sobrevivência da empresa e pelos seus postos de trabalho. «Como é possível que ao longo deste período o Governo não tenha encontrado uma solução?», questionou.

Uma delegação da CGT francesa esteve presente e evocou o exemplo recente de uma luta vitoriosa que impediu o encerramento dos Estaleiros de Brest.

PCP presente

Este protesto, o quinto dos últimos tempos, contou, de igual forma, com a solidariedade de uma delegação do PCP, composta por Jerónimo de Sousa, Filipe Vintém, Honório Novo e Ilda Figueiredo. O Secretário-geral referiu que o PCP está onde sempre esteve, «do lado dos trabalhadores, da defesa da empresa pública, de uma empresa importantíssima, não só para estes trabalhadores, mas também para a região e o País, num quadro em que precisamos tanto de produzir mais e de defender o nosso aparelho produtivo». «Estamos a assistir a um crime por asfixia, na medida em que o Governo, com todas as responsabilidades que tem nesta empresa, deveria ter criado condições para um pequeno investimento que satisfizesse algumas encomendas que estão feitas», criticou, sublinhando que «não estamos apenas perante um conflito laboral», mas de «uma questão social e de interesse nacional».

 

Arsenal do Alfeite

Na segunda-feira à tarde, frente ao portão verde, acesso principal do Arsenal do Alfeite, em Almada, teve lugar um acto público em defesa do estaleiro da Marinha, promovido pela União dos Sindicatos de Setúbal e pelo Sindicatos dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Indústrias de Defesa, com participação do Secretário-geral da CGTP-IN. A principal crítica foi dirigida à «empresarialização», decidida pelo Governo em 2009 e que está a conduzir o estaleiro a um perigoso definhamento. Na última reunião com o sindicato, dia 13, o secretário de Estado da Defesa deixou antever um ainda maior afastamento das actividades de manutenção e reparação da frota da Marinha.




Mais artigos de: Trabalhadores

Pobreza nos salários<br>é o lucro dos patrões

O Governo, a troika e os patrões querem convencer os trabalhadores a aceitarem salários que rondam o limiar da pobreza, para que os donos das empresas possam ter lucros cada vez maiores, acusa a Fesete/CGTP-IN, que promoveu uma «caminhada» no sábado, em Guimarães, com milhares de pessoas.

Mais salário com direitos

A unidade e determinação dos trabalhadores e a firmeza dos seus representantes permitem derrotar as pretensões patronais, manter direitos e alcançar melhorias salariais.

A luta dos não resignados

Uma semana de luta permitiu expressar publicamente a indignação e a revolta dos trabalhadores reformados e afirmar que estes não se resignam ao empobrecimento e exigem mudança de política e de Governo.

Marcha de Abril avança

Das lutas laborais em sectores, empresas e regiões e da intervenção de âmbito nacional – com destaque para a manifestação da juventude trabalhadora, ontem, em Lisboa, que iria iniciar-se já com esta edição fechada, e que trataremos na próxima...

Esvaziamento em Lisboa

Mais de cinco centenas de trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa participaram, ontem de manhã, num plenário promovido pelo STML/CGTP-IN, e foram depois, em manifestação, pelas ruas da baixa, entregar a moção aprovada no Largo do Intendente, onde está instalado...

Militares entregaram resolução

LUSA Algumas centenas de militares responderam ao apelo das associações profissionais de oficiais, sargentos e praças, e concentraram-se, dia 20, junto à residência oficial do primeiro-ministro, para acompanhar os dirigentes da AOFA, da ANS e da AP, que...

Contra despedimentos colectivos

Junto ao Tribunal de Cascais, concentraram-se no dia 20, durante a manhã, algumas dezenas de trabalhadores do Casino Estoril, que foram vítimas de um despedimento colectivo em 2010, que abrangeu 113 pessoas. Há mais de três anos aguarda solução a impugnação daquele...