A luta dos não resignados
Uma semana de luta permitiu expressar publicamente a indignação e a revolta dos trabalhadores reformados e afirmar que estes não se resignam ao empobrecimento e exigem mudança de política e de Governo.
Têm que ser respeitados os direitos sociais
A iniciativa foi promovida pela Inter-Reformados, desde dia 20 até anteontem, e envolveu a realização de tribunas públicas, em Ovar, na Feira e em São João da Madeira; plenários, seguidos de manifestações, em Braga e no Porto; concentrações em Beja, Covilhã (com deslocação ao ACES da Cova da Beira), Coimbra (com desfile para a Segurança Social), Évora (concentração na Praça do Giraldo e desfile para a Segurança Social, uma acção conjunta com o MURPI) e Lisboa.
«Pretendemos mostrar a nossa indignação e revolta contra estas políticas que nos empobrecem», disse à agência Lusa a coordenadora nacional da Inter-Reformados, Fátima Canavezes, referindo o congelamento das pensões, o corte dos subsídios de férias e de Natal e o aumento do custo de vida.
Ao aplicar fortes medidas de austeridade, o Governo faz dos reformados, pensionistas e idosos «um alvo preferencial da política que os quer empurrar para o empobrecimento, a desproteção e a miséria». A dirigente salientou que «estamos cada vez mais pobres» e «estamos também preocupados com o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos». Fátima Canavezes defendeu que «é preciso acabar com esta política e com este Governo», comentando que «nós somos mais velhos, não temos todo o tempo do mundo, mas vamos continuar a lutar contra isto, não nos resignamos».
Os manifestantes, representando estruturas da Inter-Reformados dos distritos de Lisboa e Setúbal, começaram por concentrar-se no Largo do Carmo, de onde marcharam até junto do Ministério das Finanças, no Terreiro do Paço, marcando o percurso com palavras de ordem, como «Não consigo adormecer com Passos Coelho e Portas a bater», «O roubo da pensão não é solução», «Ser reformado é um direito, exigimos mais respeito».
Numa resolução aprovada e entregue ao cuidado do ministro Vítor Gaspar, são contidas as reivindicações afirmadas, nesta semana de luta, por todo o País:
- que o Governo acabe com o roubo nas pensões e reponha o valor extorquido desde 2011, nas reformas, e que respeite todos os direitos que a Constituição consagra.
Foi afirmada a determinação de prosseguir o combate pela defesa dos direitos dos reformados, designadamente: a manutenção do poder de compra, a actualização de todas as pensões, a efectivação do direito à saúde, o desenvolvimento de equipamentos e de respostas sociais, a criação do direito de protecção na dependência e a erradicação da pobreza.