do aniversário do PCP
Um Partido insubstituível
As comemorações do 92.º aniversário do PCP estão a reunir largos milhares de militantes e simpatizantes do Partido. No Alentejo e na Madeira realizaram-se grandiosas iniciativas.
Não pode haver hesitações em exigir a demissão do Governo
Mais de 1200 pessoas vindas de todo o Alentejo encheram por completo o Pavilhão Multiusos de Arraiolos, no domingo, para o almoço comemorativo dos 92 anos do Partido Comunista Português, que contou com a presença de Jerónimo de Sousa. Perante tão vasta e entusiasmada plateia, o Secretário-geral valorizou o facto de tantos terem nos últimos meses e anos tomado partido e aderido ao PCP, «neste combate sem tréguas que travamos contra a exploração, as injustiças e pela construção de uma sociedade nova». Mas, garantiu, «muitos mais são precisos», pois a luta que os comunistas travam «precisa de mais militantes dedicados à causa dos trabalhadores e do povo». Para Jerónimo de Sousa, o futuro depende mesmo da «intervenção organizada e confiante» de muito mais gente neste Partido «necessário, indispensável e insubstituível».
Depois de realçar que o PCP «deu um contributo inestimável, nos quase 100 anos da sua existência, para fazer andar a roda da história no sentido do progresso, da liberdade, da democracia, da elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo e do seu direito soberano e inadiável a escolher os caminhos do seu futuro», o Secretário-geral salientou que ele se apresenta hoje como uma força «viva, actuante, combativa, ligada à vida, capaz de ombrear com as mais exigentes tarefas e desafios».
Reafirmando a natureza do partido comunista «que somos e queremos continuar a ser», Jerónimo de Sousa destacou que esta se «afirma e reafirma» na concretização de uma política patriótica e de esquerda, «em ruptura com a política de direita e o pacto de agressão, por uma democracia avançada, por uma sociedade nova, liberta da exploração e da opressão – o socialismo e o comunismo».
Devolver a esperança
Assentes na sua história heróica e no seu projecto ímpar, os comunistas alentejanos assinalaram mais este aniversário do seu Partido conscientes das tarefas mais prementes que têm pela frente. A começar pela luta contra o pacto de agressão das troikas e pela demissão do Governo que aplica as suas medidas. Uma luta que, sublinhou Jerónimo de Sousa, conta não apenas com a solidariedade do Partido, mas com o «envolvimento activo dos comunistas portugueses». Envolvendo hoje «centenas de milhares de homens, mulheres e jovens, em pequenas e grandes iniciativas», esta luta transformou-se numa «torrente de afirmação de vontades, determinação e força pela exigência de mudança». Perante tal torrente, sublinhou Jerónimo de Sousa, o Governo PSD/CDS encontra-se «isolado e sem legitimidade».
Tendo em conta o rol de destruição provocado por este Governo e a «perspectiva sombria de evolução e de agravamento da vida dos portugueses» não pode haver, para Jerónimo de Sousa, nenhuma hesitação em exigir a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas. Quem não o fizer será mesmo «cúmplice do projecto de afundamento do País». A solução para os problemas do País não se pode limitar, como apregoa o PS, a pedir ao Governo que «arrepie caminho e peça desculpa aos portugueses».
Acusando o PS de ter deixado cair a exigência de demissão do Governo – numa clara gestão do seu «calendário eleitoralista» – Jerónimo de Sousa realçou que não há «jogos do faz-de-conta» nem «fraseologia de oposição» que façam esquecer as suas responsabilidades pela situação do País, resultantes de anos e anos de «governação à direita». Rejeitando o caminho apontado pelo PS para «devolver a esperança» ao povo, Jerónimo de Sousa reafirmou que a «esperança devolve-se agindo e convergindo na luta visando a imediata derrota deste Governo», afirmando «sem equívocos uma posição de ruptura com a política de direita e defendendo e afirmando uma verdadeira política alternativa».
Heróico povo alentejano
Antes, João Pauzinho, membro do Comité Central e responsável pela Organização Regional de Évora do Partido, salientou o «momento particularmente difícil» da vida do povo alentejano, que «sofreu e sofre com a desumanidade do capitalismo». Um povo que «sempre contou com o Partido Comunista Português e com quem o PCP sempre contou». Na história deste povo, realçou o dirigente comunista, estão façanhas heróicas como a conquista das oito horas de trabalho em pleno fascismo e a realização da Reforma Agrária, a «mais bela conquista» da Revolução de Abril. João Pauzinho lembrou ainda que o Alentejo e o seu povo mereceram por parte de Álvaro Cunhal «uma atenção especial na sua obra, na sua acção e intervenção».
No que respeita à preparação das eleições autárquicas, o dirigente do Partido destacou o «envolvimento e a participação de centenas de democratas em toda a região» e o balanço positivo do «conjunto de encontros, plenários, sessões e apresentações» em toda a região.
Pedro Grego, da JCP, destacou os graves problemas existentes nas escolas e locais de trabalho da região e valorizou a luta dos jovens comunistas alentejanos pela sua superação.