João Ferreira é candidato à Câmara de Lisboa

Vontade de mudança

«Apresentamo-nos, aqui, perante vós, como a alternativa política imprescindível para abrir campo à política alternativa de que Lisboa e o País precisam», afirmou, quinta-feira, João Ferreira, cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal.

A cidade degradou-se e empobreceu

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«Tal como no País, Lisboa empobreceu nos últimos anos. A cidade degradou-se e empobreceu – nos planos económico, social e cultural», salientou João Ferreira, deputado no Parlamento Europeu do PCP desde 2009, na apresentação da sua candidatura, que decorreu no Martinho da Arcada, junto à Praça do Comércio, onde acusou o PSD e o CDS, primeiro, e o PS, depois, de «alternarem-se na governação da cidade», o que «não correspondeu uma verdadeira alternativa».

«PSD e CDS, durante seis anos no governo da cidade, contaram com a prestimosa colaboração e complacência do PS na “oposição”. Por sua vez, ao PS, durante os mesmos seis anos no governo da cidade, não lhe faltou o apoio e a bonomia da direita em momentos cruciais, o que é elucidativo do caminho que, por opção própria, entendeu seguir», condenou, referindo-se, por exemplo, às «negociatas de terrenos» do Parque Mayer e da Feira Popular, e à aprovação de novos instrumentos de especulação urbanística e imobiliária, com a reestruturação dos serviços municipais ou a reforma administrativa da cidade.

Encerrar um ciclo

Sobre as próximas eleições autárquicas, o candidato do PCP sublinhou que «poderão significar, em Lisboa, o fecho de um ciclo». «Doze anos depois, a capital do País está numa encruzilhada. A opção é entre mais do mesmo ou uma arrancada para um novo ciclo de mudança, de desenvolvimento e de progresso», disse João Ferreira, frisando que «a candidatura da CDU corporiza esta oportunidade e esta vontade de mudança de rumo». «Em Lisboa, tal como no País, a solução para os problemas da cidade não poderá vir de quem os criou!», acrescentou, defendendo uma cidade «em que o planeamento seja expressão democrática do sentir colectivo da população, dos seus anseios e necessidades», «com serviços públicos modernos, diversificados, eficientes, que respondam a necessidades sociais em evolução permanente», «com habitação condigna para todos», «com políticas culturais e desportivas dignas desse nome» e «uma cidade jovem e com jovens».

Desejo de mudança

«Esta candidatura», continuou, «simboliza um desejo de mudança e a determinação de lutar pela sua concretização». «Um desejo e uma vontade de mudança que se inscrevem na necessidade de uma mudança mais ampla, no próprio País», destacou João Ferreira, que prometeu, na presidência da Câmara Municipal de Lisboa, ser a voz da população, «não hesitando a fazer frente a quem tentar prejudicar os seus interesses», como aconteceu com a extinção das freguesias ou com a privatização da ANA, «tristes exemplos da cumplicidade da actual gestão camarária com orientações profundamente lesivas dos interesses da cidade, comprometedoras do seu futuro».


CDU alerta para «corrida de figurões»

Quase a terminar, João Ferreira - licenciado em Biologia, membro do Comité Central, da Direcção da Organização Regional de Lisboa e da Direcção do Sector Intelectual de Lisboa do PCP - deixou uma palavra aos trabalhadores do município, da Câmara Municipal e das empresas municipais. «Melhor do que ninguém, conhecemos os ataques que têm sido alvo e as ameaças que perfilam no horizonte, sejam as que vêm do Poder Central, seja as que partem da própria autarquia. Estivemos, estamos e estaremos ao vosso lado, defendendo os vossos direitos», afirmou, sublinhando que o projecto da CDU para a cidade «é a mais sólida garantia de defesa desses direitos».

À comunicação social e a alguns responsáveis editoriais, outra palavra dirigida, «não tentem decidir à partida o que apenas à população de Lisboa cabe decidir». «Não tentem fazer destas eleições o que elas não são: uma corrida entre as forças que nos últimos 12 anos se alteraram no governo da cidade. Não tentem ignorar ou ocultar o projecto da CDU atrás de uma corrida de figurões sem projecto», disse.


Rúben de Carvalho
«Confiança no futuro»

Rúben de Carvalho, actual vereador na autarquia e mandatário da lista da CDU, começou por lembrar que aquela candidatura é de «continuidade do trabalho que se tem vindo a realizar há dezenas de anos na Câmara de Lisboa» e materializa «o desejo e a vontade da CDU de renovar a sua presença em todos os níveis na sociedade portuguesa, quer ao nível institucional, quer, como o demonstrou o XIX Congresso do PCP, na sua própria organização interna».

«Esta renovação é significativa por duas questões», salientou, valorizando o «desejo», a «vontade» e a «determinação» do PCP e da CDU de «renovar a sua presença e os seus quadros, o que é, por si própria, uma afirmação de confiança no futuro e no seu trabalho».


Sessão pública no dia 7

No dia 7 de Março, às 18 horas, no Auditório Camões (junto ao Liceu Camões), em Lisboa, terá lugar uma sessão pública de apresentação de João Ferreira, cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal de Lisboa. Esta iniciativa contará com a participação de Ruben de Carvalho, mandatário da CDU em Lisboa, e de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP.

 

Um projecto aberto e em construção
A cidade desejada pela CDU

  • Estimular a actividade produtiva e a sua diversificação, criando emprego em Lisboa – emprego qualificado e com direitos. Recuperar e desenvolver a vocação produtiva da cidade, potenciando a articulação do tecido produtivo e de sectores do terciário avançado com a rede de Laboratórios do Estado e demais instituições de I&D, com as Universidades e o Politécnico, apostando na criação de pólos tecnológicos;
  • Definir políticas habitacionais que atraiam e fixem população, estancando a saída de jovens, respondendo aos problemas dos bairros municipais e desenvolvendo a reabilitação urbana do edificado. Lutar pela revogação da actual lei das rendas, que está a afectar milhares de famílias em Lisboa;
  • Pôr em prática políticas sociais que promovam a inclusão social e o combate às desigualdades crescentes;
  • Apostar na qualidade e diversificação dos serviços públicos na cidade, atendendo às necessidades da população de Lisboa e à sua evolução, sejam os prestados pela Câmara, sejam os do Estado Central, nas áreas da Saúde, Ensino, entre outras. Lutar contra o encerramento de hospitais e centros de saúde. Defender intransigentemente a propriedade e a gestão públicas dos serviços de abastecimento água e saneamento;
  • Combater e reverter a degradação do transporte público, apostando na sua qualidade e cobrindo toda a extensão da cidade, com uma visão integrada dos diferentes modos de transporte. Lutar pela melhoria substancial da sua qualidade, conforto, segurança, regularidade e rapidez. Pela diminuição do seu custo. Lutar contra a privatização do Metro e da Carris. Intervir de forma consequente, tirando partido de todos os instrumentos municipais disponíveis, com vista a reverter as políticas de mobilidade que dão primazia ao automóvel;
  • Humanizar e qualificar o espaço público. Estimular e democratizar a sua fruição.
  • Desenvolver políticas ambientais sustentáveis, que tenham em conta a eficiência energética, a qualidade do ar e o ruído, construindo corredores verdes, preservando Monsanto e apostando nos jardins e matas da cidade;
  • Transformar Lisboa numa cidade de dimensão cultural qualificada, humanizada e solidária – cidade agradável e estimulante para viver, onde a memória e a tradição histórica e popular convivem com a criação contemporânea;
  • Retomar uma política desportiva. Estimular e democratizar a prática do desporto na cidade, dando força ao desporto popular e ao movimento associativo desportivo. Recuperar e mobilizar equipamentos desportivos há muito encerrados e em estado avançado de degradação;
  • Concretizar uma política de dinamização com e para a Juventude. Estimular o associativismo juvenil e a participação da juventude na vida da cidade.


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