A luta continua!

João Frazão

Talvez surpreendido com a combatividade dos trabalhadores do sector dos transportes, que há vários meses têm realizado greves aos feriados e às horas extraordinárias; notoriamente zangado pela unidade manifestada ao longo de muitas semanas de luta, visível nas participações esmagadoras, o secretário de Estado dos Transportes ocupou uma boa parte do seu discurso numa conferência a desancar no direito à greve.

Diz o, pelos vistos, mal informado governante, que «não há motivo» para as greves marcadas para os dias 23, 24 e 25 de dezembro e para 1 de janeiro de 2013, chegando mesmo a questionar a sua legalidade.

Daqui – e ainda que se suspeite que, como diz o ditado, se esteja a distribuir pérolas –, tentaremos então suprir a falta de informação ou o desinteresse nela, do desatento governante.

Desde logo esclarecendo que, para aqueles dias, estavam também emitidos pré-avisos de greve para as restantes empresas do sector dos transportes de passageiros. Pelo que a torpe insinuação de que os trabalhadores com a sua greve pretenderiam favorecer outras empresas de transporte e estariam, deliberadamente, a pôr em causa o serviço público, não passa de um insulto. Mas também lembrando que as razões da luta destes trabalhadores são sobejamente conhecidas e, para além de mobilizarem estes trabalhadores estão a mobilizar muitos outros da indústria, dos serviços, do comércio. Esta é uma luta contra o roubo, perpetrado pelo Governo de que este senhor faz parte, no valor pago pelo trabalho em horas extra e aos feriados e fins-de-semana. A que, no caso da CP, se soma a contestação aos processos de repressão de que são alvos os que participam na luta.

Talvez convencido de que os trabalhadores se deixariam intimidar pelas suas ameaças veladas, sobe um pouco além da chinela e, agindo de forma inaceitável tentando condicionar o direito constitucional à greve, ameaça com despedimentos.

Este secretário de Estado devia saber que a força dos trabalhadores, quando é justa a razão da sua luta, não é intimidável! E que aqueles trabalhadores já derrotaram outros governos com maiorias maiores. E que têm como a mais certa a palavra de ordem: a luta continua!



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