Um pensamento actual
Jerónimo de Sousa destacou ainda a redobrada actualidade do pensamento de Álvaro Cunhal na actual situação do País. Para o Secretário-geral do Partido, a «velha ideia “da natural pobreza do País” proclamada pela ditadura fascista e pelos beneficiários da sua política, que Álvaro Cunhal denunciava como uma mistificação das classes dirigentes para encobrir a política de rapina exploração do povo a favor dos grandes grupos monopolistas, está hoje de regresso, com o actual Governo do PSD/CDS e com a concretização do pacto de agressão».
Este processo de rapina utiliza, ontem como hoje, os mesmos macanismos – o papel do Estado e a sua acção coerciva que Álvaro Cunhal identificou como «decisivos para dar forma ao capitalismo português, assente no domínio do capital monopolista, hoje restaurado, sobre a economia e a vida do País». Domínio este que é «uma das principais causas, senão a principal, da crise e do actual trajecto de regressão económica e social e declínio nacional».
Para Jerónimo de Sousa, a ofensiva em curso, a coberto do pacto de agressão e que utiliza e coloca o Estado ao serviço dos grandes grupos económicos e do seu projecto, «está bem patente na iniciativa de liquidação dos direitos laborais do actual Governo com o apoio do PS, na política oficial de redução compulsiva dos salários e rendimentos do trabalho, na concretização e aprofundamento do modelo económico de salários de miséria, baixo valor acrescentado e emigração que mais não é que o modelo de Salazar e Caetano».
É, pois, uma realidade que confirma a «actualidade e importância da luta de libertação do País do domínio monopolista que Álvaro Cunhal referenciou de forma sistemática na definição das grande orientações de uma nova política para actual etapa histórica». Uma política dirigida, entre outros aspectos, à «defesa e valorização da produção nacional e do aparelho produtivo do País», um outro aspecto central na obra de Álvaro Cunhal e que tinha subjacente a «vital preocupação de afirmar a máxima independência económica para garantir a independência nacional». Também no que respeita à integração europeia e suas consequências, as análises de Álvaro Cunhal e do PCP confirmaram-se, sublinhou Jerónimo de Sousa.
A terminar, o Secretário-geral do Partido lembrou um ensinamento que Álvaro Cunhal legou: de que «sejam quais forem as circunstâncias existentes em cada momento, a luta é sempre necessária – e vale sempre a pena, porque será ela e a força que dela emana, em última instância a determinar a evolução dos acontecimentos.»