As confissões do general

José Casanova

Os media do­mi­nantes não têm dado no­tí­cias sobre o caso do ge­neral co­lom­biano Mau­rício San­toyo – que foi chefe dos Ser­viços de Se­gu­rança do go­verno de Uribe e braço di­reito do então pre­si­dente da Colômbia e agora está a ser jul­gado num tri­bunal norte-ame­ri­cano.

Per­cebe-se o si­lêncio: em ma­téria de no­tí­cias sobre o que se passa na Colômbia (como, aliás, em re­lação ao que se passa no resto do mundo: Afe­ga­nistão, Iraque, Líbia, Síria, etc, etc.) os media do grande ca­pital fun­ci­onam numa onda in­for­ma­tiva ri­go­ro­sa­mente de­fi­nida e da qual não saem por nada deste mundo e muito menos em nome da ver­dade.

Mas vamos ao caso: o tal ge­neral, no tal tri­bunal, de­clarou-se cul­pado de, no de­sem­penho do tal cargo, ter co­la­bo­rado com os pa­ra­mi­li­tares e nar­co­tra­fi­cantes das mi­lí­cias fas­cistas das «Auto-De­fesas Unidas da Colômbia» que foram cri­adas por Uribe e são res­pon­sá­veis por mais de 200 mil as­sas­si­natos e «de­sa­pa­re­ci­mentos» e eram for­ne­ce­doras de droga para vá­rios países, in­cluindo para os EUA. Para qual­quer ci­dadão não afec­tado pela me­diá­tica de­sin­for­mação or­ga­ni­zada, o caso não ofe­rece qual­quer es­tra­nheza, antes sus­cita a questão de saber se o réu vai con­fessar tudo – porque se o fizer ve­remos cer­ta­mente con­fir­mado o ver­da­deiro papel do narco-fas­cista Uribe em todo esse pro­cesso.

No en­tanto, há que re­co­nhecer que esta não é no­tícia para ser di­vul­gada pelos media do­mi­nantes, os quais se têm es­fal­fado, du­rante anos e anos, a apre­sentar-nos a Colômbia de Uribe (e, de­pois, de Santos) como «de­mo­cracia exem­plar» para uti­lizar a ex­pressão criada pelos EUA e ca­ni­na­mente se­guida pelos media do­mi­nantes em todo o pla­neta.

Por esses media sou­bemos, vejam bem!, que o narco-fas­cista Uribe foi um in­tré­pido de­fensor da li­ber­dade, da de­mo­cracia e dos di­reitos hu­manos, de tal forma se des­ta­cando nessa gesta he­róica que Bush lhe atri­buíu a «Me­dalha da Li­ber­dade»... não sem que, antes da me­dalha, Uribe tenha aberto as portas da Colômbia a sete bases mi­li­tares dos EUA – as quais, se­gundo Obama, cons­ti­tuem im­por­tantes trunfos no com­bate ao ter­ro­rismo e ao nar­co­tra­fico.

Está-se mesmo a ver, não está?...



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