Granizo arrasa culturas no Douro
Numa carta aberta ao primeiro-ministro e à ministra da Agricultura, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) alertou para os prejuízos causados pelo granizo no Douro, que atingem proporções e valores que os lavradores não suportam.
Acudir a quem quer continuar a produzir
«A ministra da Agricultura tem que atribuir uma ajuda excepcional para acudir a quem quer continuar a produzir nos mais de mil hectares afectados», exige a CNA, informando que a queda de granizo, ocorrida há dias, atingiu algumas freguesias dos concelhos de Sabrosa, Alijó e S. João da Pesqueira, «isto sem esquecer os mais de cem hectares afectados, em Maio, em duas freguesias do concelho de Vila Real».
Face a esta intempérie, centenas de explorações ficaram com perdas entre os 70 e os 100 por cento, pelo que os vitivinicultores, de um momento para o outro, viram desaparecer o seu investimento, o produto do seu trabalho e o sustento das suas famílias.
«Para além da vinha – a cultura mais do que dominante na Região Demarcada do Douro – foram bastante afectados o olival e as hortofrutícolas. Trata-se de um desastre com graves consequências económicas e sociais», alerta a Confederação, que não aceita a posição da ministra da Agricultura, segundo a qual não vai ser atribuída qualquer ajuda excepcional, a fundo perdido, aos vitivinicultores, pois estes deviam ter feito seguros agrícolas.
«Ora, como a grande parte dos agricultores afectados pelo granizo não fez esses seguros, não vão ser ajudados. Assim, parece que a ministra da Agricultura é ministra das seguradoras e não dos agricultores», refere, na carta aberta, a CNA, onde esclarece que os seguros agrícolas «são demasiado caros e desadequados para os pequenos e médios agricultores portugueses e para a lavoura», e que «os rendimentos dos vitivinicultores durienses estão em queda continuada desde há já alguns anos, pelo que se encontram descapitalizados e sem capacidade para pagar os muito caros seguros agrícolas».
Silêncio comprometedor
No documento enviado ao primeiro-ministro e à ministra da Agricultura, a CNA dá ainda conta de que em 2006 o partido que hoje está no Governo, a propósito de prejuízos provocados por quedas de granizo na Região Demarcada do Douro, apresentou um Projecto de Resolução na Assembleia da República para um «Apoio extraordinário à vinha do Douro». «Como é sabido, estava outro partido no governo, mas o que não mudou foi a situação dos vitivinicultores, ontem como hoje severamente afectados pelo granizo», recorda a Confederação, que «estranha, agora, o silêncio comprometedor do primeiro-ministro, dos deputados e de outros representantes do partido maioritário (PSD) no actual Governo e na Assembleia da República».