Sindicatos espanhóis promovem cimeira social

Mobilização permanente

As duas mai­ores cen­trais sin­di­cais es­pa­nholas (CC.OO. e UGT) con­vo­caram para 15 de Se­tembro uma grande ma­ni­fes­tação na­ci­onal, que é apoiada por perto de 200 or­ga­ni­za­ções so­ciais.

 

Frente so­cial alar­gada ad­mite con­vocar greve geral

A cons­ti­tuição de uma vasta frente de luta contra as duras po­lí­ticas de aus­te­ri­dade é o ob­jec­tivo da «ci­meira so­cial», pro­mo­vida pelas cen­trais sin­di­cais CC.OO. e UGT, que reuniu, dia 25, em Ma­drid, re­pre­sen­tantes de cerca de 200 or­ga­ni­za­ções.

A Ci­meira So­cial ma­ni­festou o seu re­púdio ao pro­grama de cortes do go­verno e com­pro­meteu-se a es­ta­be­lecer um ca­len­dário de ac­ções para travar «uma po­lí­tica que conduz o país à ruína e em­po­brece a po­pu­lação».

Ape­lando a uma mo­bi­li­zação per­ma­nente, sin­di­catos e or­ga­ni­za­ções so­ciais pre­tendem levar a cabo, du­rante o mês de Agosto, uma série de con­cen­tra­ções e pro­testos junto de sedes go­ver­na­men­tais, que cul­mi­narão com uma grande ma­ni­fes­tação dia 15 de Se­tembro.

Foi igual­mente de­ci­dido lançar um abaixo-as­si­nado exi­gindo a re­a­li­zação de um re­fe­rendo sobre os cortes e as me­didas anti-so­ciais apro­vados pelo go­verno, à re­velia do pro­grama elei­toral do Par­tido Po­pular nas le­gis­la­tivas de No­vembro pas­sado. Caso o exe­cu­tivo re­cuse or­ga­nizar a con­sulta, a Ci­meira So­cial mostra-se de­ter­mi­nada a re­a­lizar a aus­cul­tação po­pular na se­gunda me­tade de Ou­tubro.

Esta con­sulta po­derá dar lugar à con­vo­cação de uma «greve geral ci­dadã», se­gundo afirma uma nota das Co­mi­si­ones Obreras. Como re­corda a cen­tral, trata-se de um tipo de greve que é «algo mais dos que uma greve geral», dado que pres­supõe a pa­ra­li­sação «não só dos cen­tros de pro­dução e lo­cais de tra­balho, mas também o en­cer­ra­mento do co­mércio ou a sus­pensão de eventos des­por­tivos». A úl­tima greve com estas ca­rac­te­rís­ticas teve lugar em 14 de De­zembro de 1988.

A Ci­meira So­cial aglu­tina or­ga­ni­za­ções e as­so­ci­a­ções dos di­versos sec­tores de ac­ti­vi­dade, de­sig­na­da­mente de mé­dicos, agri­cul­tores, so­ció­logos, eco­lo­gistas, eco­no­mistas, es­tu­dantes, juízes e pro­cu­ra­dores, en­ge­nheiros, pro­fes­sores, imi­grantes, tra­ba­lha­dores in­de­pen­dentes e pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios, fu­te­bo­listas, vá­rias as­so­ci­a­ções de po­lí­cias e guardas civis, entre muitas ou­tras.

Nú­meros alar­mantes

Na se­mana em que a pla­ta­forma foi cons­ti­tuída, sob o lema «Querem ar­ruinar o país», o de­sem­prego em Es­panha atingiu um novo re­corde his­tó­rico. Entre Abril e Junho, a taxa de de­sem­prego galgou para os 24,63 por cento, su­pe­rando o li­mite má­ximo de 24,55 por cento re­gis­tado em 1994.

No total já há cinco mi­lhões e 693 mil pes­soas sem em­prego, numa po­pu­lação ac­tiva de 21 mi­lhões e 110 mil in­di­ví­duos, se­gundo dados do Inqué­rito à Po­pu­lação Ac­tiva, pu­bli­cado, dia 27, pelo Ins­ti­tuto Na­ci­onal de Es­ta­tís­tica.

O fla­gelo é ainda maior entre os jo­vens me­nores de 25 anos, 53 por cento dos quais estão de­sem­pre­gados. Também o nú­mero de fa­mí­lias em que todos os mem­bros estão de­sem­pre­gados con­tinua a crescer, tendo al­can­çado um mi­lhão, 737 mil e 600 agre­gados, ou seja uma su­bida de 27 por cento em re­lação ao pe­ríodo ho­mó­logo de 2011.

As graves di­fi­cul­dades im­postas às fa­mí­lias tra­duzem-se ainda no au­mento con­tínuo de des­pejos por in­cum­pri­mento das pres­ta­ções ao banco. De acordo com dados di­vul­gados, dia 26, pela Pla­ta­forma dos Afec­tados pela Hi­po­teca, só nos pri­meiros três meses deste ano foram efec­tu­ados 46 559 des­pejos, cal­cu­lando a mesma as­so­ci­ação em mais de 400 mil o nú­mero de fa­mí­lias des­pe­jadas desde 2008.

Exi­gindo o fim ime­diato dos des­pejos, a Pla­ta­forma lançou uma pe­tição ao Con­gresso dos De­pu­tados para que as fa­mí­lias obri­gadas a en­tregar as casas aos bancos vejam em si­mul­tâneo li­qui­dada a to­ta­li­dade da sua dí­vida, algo que hoje não su­cede.



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