Fazedores do mal

Jorge Cordeiro

Fugindo à mais proverbial asserção, carregada de sabedoria popular, sobre a não necessária coincidência entre um burro carregado de livros e a automática tentação de aí se ver doutor, aqui se usará sobre a forma de equação, mais cientifica e apropriada ao caso, o que se justifica anotar sobre o tema desta crónica: a troika está para o País como a Lusófona para o ministro Relvas.

Para a primeira parte da ensaiada equação, cada bem sucedido exame do País, sendo um êxito para o pretendido saque dos recursos nacionais e uma bem conseguida drenagem de milhares de milhões para os agiotas do FMI e da União Europeia, é também, e comprovadamente, um desastre para as condições de vida dos trabalhadores e do povo e para o desenvolvimento soberano do País. Quanto à outra metade, os inventados exames ao discente Relvas creditados por conta, do que não se podendo cabalmente desvendar se pode sempre legitimamente imaginar, sendo um assinalável êxito para quem, por mera presunção, à força querer ser o que a vida mostra não ser, é seguramente um pontapé na credibilidade de um certo tipo de ensino que fará as delícias do ministro Crato e do seu imaginário de rigor educativo.

Dir-se-á, e com razão, que se deverá sublinhar por elementar sentido de justiça, olhando para os desmandos de Relvas e deste governo, o episódio das cadeiras não feitas ou do canudo caído do céu, é coisa de pouca monta e reduzida relevância nacional. Passos Coelho afirmou há dias, perante o coro de criticas, que o ministro em questão é um «fazedor» donde tudo o resto são pormenores. Reconheça-se o sentido prático do primeiro-ministro: não sendo ponto de honra para o que a sua política representa, minudências como essas do sentido da decência ou ética políticas que manifestamente só atrapalham, o que conta mesmo é o que parcela de destruição deste ministro (seja ela a liquidação do poder local ou a destruição do serviço público de televisão) pode ajudar, somada às parcelas de outros dos seus ministros, na obra de destruição do país em que estão empenhados. Obra esta que, diga-se, não é mensurável, nem necessariamente proporcionada, à carrada de livros que carregam mas sim aos interesses de classe que esforçadamente garantem.

 



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