MURPI alerta para ataque sem igual
O Governo está a preparar-se para aumentar a idade da reforma para os 67 anos e cortar o direito à protecção social na velhice. A denúncia foi feita no XVII Piquenicão do MURPI.
Muitos pensionistas e idosos estão em situação de pobreza
O XVII Piquenicão Nacional do MURPI (Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos), que se realizou no dia 15 de Julho, no Parque do Carril, contou com a presença e intervenção do presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, que qualificou a iniciativa, onde estiveram mais de 3500 pessoas, de «jornada de festa e animação cultural, de reencontro de amigos, mas também de afirmação de vontades e de luta por uma vida melhor e mais digna para todos os cidadãos portugueses».
Sobre as reivindicações dos reformados, pensionistas e idosos de todo o País, ali denunciadas, Mário Pereira lembrou que são «princípios que não motivam qualquer dúvida ou resistência» à Câmara de Alpiarça. «Estão aqui em discussão exigências legítimas do povo português – mais saúde, pensões dignas, melhor protecção social, serviços públicos de proximidade, que são resultado não apenas das necessidades objectivas dos reformados e pensionistas no momento actual, no quadro de uma violenta ofensiva contra os direitos sociais e do trabalho, mas condição essencial para a edificação de uma sociedade mais justa e progressista», sublinhou, frisando que a autarquia «não é nem pode ser uma entidade neutra» estando «numa frente de luta comum com as vossas associações e com o vosso movimento unitário».
O momento contou ainda com a intervenção de Raul Figueiredo, presidente da Federação das Associações do Ribatejo, que alertou para o facto de o «povo, particularmente os reformados, pensionistas e idosos de menores recursos, não suportarem mais sacrifícios». «Hoje temos no nosso País milhões de homens e mulheres que trabalharam uma vida digna inteira, muitos de sol a sol, que vivem muito abaixo do limiar da pobreza por causa das reformas e pensões de miséria que recebem no fim do mês», condenou, lembrando que «esta é a consequência mais dramática de uma política ao serviço de grandes interesses nacionais e estrangeiros, política imposta ao nosso País em nome de uma crise que nós não criámos».
Raul Figueiredo deu ainda conta que em 2010 a pensão média de velhice do regime geral era de 477 euros, enquanto o limiar da pobreza era de 434 euros, sabendo-se que cerca de dois terços dos reformados de invalidez e de velhice deste regime se encontrava em escalões abaixo daquele valor. Situação que, entretanto, se agravou com o congelamento de pensões e reformas. «Esta é uma situação indigna que os reformados, pensionistas e idosos não podem aceitar», destacou, criticando, por outro lado, o facto de o Governo se estar a preparar «para aumentar a idade de reforma para os 67 anos e para cortar o direito à protecção social na velhice, um direito justamente reconhecido e consagrado na Constituição da República Portuguesa».
O presidente da Federação das Associações do Ribatejo alertou ainda para a intenção, do Governo, de aprovar um limite máximo da pensão a ser paga pelo Sistema Público de Segurança Social, ou seja, «um tecto a partir do qual não serão feitos descontos para a segurança social». «Isto significa transferir a parte não descontada para fundos de pensões e seguros privados que, deste modo, iriam alimentar a especulação financeira à custa das contribuições dos trabalhadores», informou.