Convívio, alegria, luta e exigência
A Interjovem e a Associação dos Bolseiros de Investigação Cientifica (ABIC) vão realizar, sábado, em Lisboa, no Jardim de S. Pedro de Alcântara, um Pic Nic «contra o desemprego e a precariedade» e em «defesa do trabalho com direitos».
Resistir à destruição dos nossos direitos e da nossa vida
Num apelo a todos os jovens, que começou a ser feito na sexta-feira, junto à saída do Metro da Baixa/Chiado, estas duas organizações não aceitam o caminho que está a ser traçado e recordam que estão disponíveis «para resistir à destruição dos nossos direitos e da nossa vida», porque, como diz o lema do Pic Nic, que acontece a partir das 11 horas, «o desemprego e a precariedade não são para aceitar, são para combater!».
No documento, a Interjovem e a ABIC avançam ainda com números esclarecedores, nomeadamente que «mais de 80 por cento das novas contratações são feitas com recurso a vínculos precários, preenchendo-se milhares de postos de trabalho permanentes com trabalhadores com contratos a prazo e com falsos recibos» e que «o desemprego atinge um milhão e 200 mil pessoas», sendo que «a percentagem de jovens desempregados até aos 25 anos é de 36,06 por cento» e «apenas 29, em cada 100 destes jovens, recebe subsídio de desemprego».
Por outro lado, critica-se no apelo, «a generalidade dos jovens vêem-se obrigados a viver em casa dos pais por não ganharem o suficiente para fazer frente às despesas mais básicas», «mais de 400 mil trabalhadores recebem o Salário Mínimo Nacional que, depois dos descontos para a Segurança Social, faz com que estes trabalhadores, na sua maioria jovens, vivam com um valor abaixo do limiar da pobreza no nosso país (432 euros)» e «mais de 60 por cento dos jovens até aos 35 anos vivem com um salário que não chega aos 600 euros».
Sobre os bolseiros de investigação científica, informa-se que estes não têm direito a contratos de trabalho, «mesmo quando preenchem necessidades permanentes das instituições, e cujas remunerações não são actualizadas desde 2002».
Exigência com sentido
«Confrontados com esta situação e com problemas graves de pressões nos locais de trabalho, os jovens resistem dentro das empresas, fazem greve, participando na greve geral e nas greves que se desenvolvem nos seus sectores, saem à rua, em fortes acções como a recente manifestação do dia 11 de Fevereiro e as comemorações do 25 de Abril e do 1.º de Maio», valoriza a Interjovem e a ABIC, que exigem «medidas dirigidas à criação de emprego e ao crescimento económico», a «valorização dos trabalhadores, particularmente das capacidades e das competências dos mais jovens», «trabalho efectivo e com direitos», o «fim do encerramento dos serviços públicos, que tem destruído, em todo o País, milhares de postos de trabalho», o «aumento real dos salários, incluindo o Salário Mínimo Nacional, para que seja possível o aumento do poder de compra e o crescimento económico, e, consequentemente, a criação de mais postos de trabalho» e o «respeito pelos horários de trabalho e pelos direitos laborais e sociais».