Centenas de pessoas no Passeio das Mulheres CDU do Porto

Lutar convivendo

Largas cen­tenas de pes­soas ru­maram, no pas­sado do­mingo, do centro da ci­dade do Porto à praia flu­vial de Porto de Rei, em Re­sende, para par­ti­cipar no Pas­seio das Mu­lheres CDU do Porto. Há já mais de 22 anos que esta ini­ci­a­tiva traz ao con­vívio do Par­tido gente que, em­bora possa não par­ti­lhar da mi­li­tância co­mu­nista, par­tilha do mesmo sen­ti­mento de ne­ces­si­dade de lutar contra as in­jus­tiças cau­sadas por su­ces­sivos go­vernos de di­reita e contra os ata­ques – cada vez mais fe­rozes – aos tra­ba­lha­dores e aos seus di­reitos.

Largas cen­tenas par­ti­ci­param nas vá­rias ini­ci­a­tivas de con­vívio

Image 10857

En­quanto que a mo­bi­li­zação dos mi­li­tantes do PCP é feita nas co­mis­sões de fre­guesia e pela im­prensa do Par­tido, a prin­cipal di­vul­gação desta ini­ci­a­tiva é feita «boca a boca» entre co­nhe­cidos, nas fre­gue­sias, nos bairros, nos lo­cais de tra­balho, com todos aqueles que, mesmo não sendo mi­li­tantes do PCP, se iden­ti­ficam com a CDU, com as suas pro­postas e ma­neira de estar, sendo estes a mai­oria dos par­ti­ci­pantes.

Trata-se, por isso, de uma ini­ci­a­tiva po­lí­tica única no co­lec­tivo par­ti­dário do Porto, que pre­tende trazer até junto do Par­tido pes­soas de ou­tros qua­drantes po­lí­ticos e so­ciais, num es­pí­rito de festa e con­vívio fra­terno. E como sempre acon­tece, esta ini­ci­a­tiva voltou a re­flectir este ano a fra­ter­ni­dade, a so­li­da­ri­e­dade e a ale­gria que é ca­rac­te­rís­tica em todas as ini­ci­a­tivas da CDU e de quem luta e exige uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda como sendo a única que serve os in­te­resses do povo e dos tra­ba­lha­dores.

Re­for­çando laços de ami­zade e de ca­ma­ra­dagem, ini­ci­a­tivas como esta afirmam a aber­tura do PCP a todos os que com ele qui­serem lutar por mais jus­tiça e pro­gresso so­cial, pro­por­ci­o­nando também a opor­tu­ni­dade de es­cla­recer e mo­bi­lizar todos os que nos acom­pa­nham para a ne­ces­si­dade de se alargar a uni­dade de acção contra as po­lí­ticas de di­reita no plano local e na­ci­onal.

Este pas­seio já levou, nou­tros anos, co­mu­nistas e amigos até lo­ca­li­dades como Arcos de Val­devez, Vilar de Mouros, Vila Nova de Cer­veira, Vila Pouca de Aguiar, Braga, Ama­rante, Es­po­sende, Ponte da Barca, Coimbra, Can­ta­nhede, entre ou­tros. Este ano o des­tino foi a praia Flu­vial de Porto de Rei, em Re­sende, local com uma be­leza na­tural ca­rac­te­rís­tica da re­gião do Douro e que, além disso, conta com muito boas con­di­ções. Trata-se de uma ini­ci­a­tiva que, pela di­mensão, con­teúdo, ani­mação e con­vívio e pela agre­gação de tanta gente e de tanta gente di­fe­rente é, sem qual­quer dú­vida, uma das mai­ores ini­ci­a­tivas po­lí­ticas re­a­li­zadas pela or­ga­ni­zação re­gi­onal do Porto.

Mo­mento alto

Mo­mento alto destas ini­ci­a­tivas é in­dis­cu­ti­vel­mente o co­mício, que tem con­tado sempre com a pre­sença do Se­cre­tário-geral do PCP e dos eleitos da CDU na ci­dade do Porto. Este ano não foi ex­cepção.

A pri­meira ora­dora foi Ana Re­gina Veira, membro da di­recção da Or­ga­ni­zação da Ci­dade do Porto do PCP e res­pon­sável pelo Co­lec­tivo das Mu­lheres CDU, que saudou todos os par­ti­ci­pantes e su­bli­nhou o am­bi­ente de ca­ma­ra­dagem sen­tido nesta ini­ci­a­tiva. De se­guida, Pedro Car­valho, ve­re­ador na Câ­mara Mu­ni­cipal, cri­ticou as op­ções anti-so­ciais e an­ti­de­mo­crá­ticas con­cre­ti­zadas pela co­li­gação mu­ni­cipal PSD/​CDS, em ques­tões fun­da­men­tais com o apoio do PS.

Para o au­tarca co­mu­nista, «Rui Rio e a co­li­gação PSD/​CDS têm des­po­jado os prin­ci­pais ac­tivos da ci­dade ao ser­viço do grande ca­pital com in­te­resses no con­celho», ci­tando como exem­plos os di­versos pro­cessos de pri­va­ti­zação con­cre­ti­zados. Sobre o ataque ao Poder Local De­mo­crá­tico de­cor­rente da in­tenção em pro­ceder à ex­tinção da mai­oria de fre­gue­sias do Porto, Pedro Car­valho alertou para a «ne­go­ciata em curso entre PSD, CDS e PS» contra as fre­gue­sias do Porto, o que é re­ve­lador também do com­pro­me­ti­mento do PS com as po­lí­ticas de di­reita.

Na sua in­ter­venção, Je­ró­nimo de Sousa abordou as con­sequên­cias do pacto de agressão para, uma vez mais, re­a­firmar que apenas a re­ne­go­ci­ação da dí­vida por­tu­guesa «nos prazos, nos mon­tantes e nos juros» e a mu­dança de po­lí­ticas podem tirar o País do rumo de de­clínio em que se en­contra.

«Hoje vemos os pe­quenos e mé­dios co­mer­ci­antes, os pe­quenos e mé­dios in­dus­triais, a irem à ruína porque au­men­taram o IVA», disse o Se­cre­tário-geral para logo con­cluir que ao pro­blema do au­mento do IVA se junta outro: «Não têm cli­entes, porque se os tra­ba­lha­dores e os re­for­mados não têm di­nheiro, não podem com­prar», ilus­trando dessa forma as con­sequên­cias per­versas da po­lí­tica de aus­te­ri­dade na eco­nomia por­tu­guesa.

Romper com o pacto de agressão!

A pro­pó­sito do acórdão do Tri­bunal Cons­ti­tu­ci­onal que con­si­derou os cortes no 13.º e 14.º meses in­cons­ti­tu­ci­onal, e da anun­ciada in­tenção do Go­verno em «com­pensar» a perda essa fonte de re­ceita com me­didas de aus­te­ri­dade al­ter­na­tivas, Je­ró­nimo de Sousa disse: «Nós di­zemos qual é a al­ter­na­tiva. Ab­di­quem, lar­guem esse pacto de agressão, rompam com ele, re­ne­go­ceiem a nossa dí­vida nos prazos, nos mon­tantes e nos juros. Façam uma po­lí­tica de in­ves­ti­mento na cri­ação de ri­queza, pondo o nosso País a pro­duzir na agri­cul­tura, nas pescas, na in­dús­tria e nos re­cursos na­tu­rais», acres­cen­tando que o Go­verno devia de­volver «o que rou­baram aos tra­ba­lha­dores, aos re­for­mados e aos pen­si­o­nistas» e res­peitar «os di­reitos de quem tra­balha».

Tra­tando-se de uma pro­posta que as troikas na­ci­onal e es­tran­geira, por es­tarem do lado do ca­pital, não acei­tarão, o Se­cre­tário-geral do Par­tido ga­rantiu que Passos Co­elho «não é in­com­pe­tente, ele sabe o que está a fazer. Fez uma opção, pôs-se do lado dos po­de­rosos contra os mais fracos, pôs-se do lado do grande ca­pital contra os tra­ba­lha­dores». Para Je­ró­nimo de Sousa, o Go­verno de­veria tomar ainda outra me­dida, em vez de «pensar logo em cortar no dé­cimo ter­ceiro mês ou no sub­sídio do fé­rias do sector pri­vado»: visar as «grandes for­tunas, os grupos eco­nó­micos, aqueles que hoje têm carros de luxo, iates, aviões e for­tunas abis­sais», indo buscar di­nheiro lá onde ele está e não junto dos tra­ba­lha­dores já sem «pos­si­bi­li­dade de fazer face à vida».

Con­cluindo, o di­ri­gente co­mu­nista sa­li­entou que uma vez que a banca «é um pro­blema», então de­veria ser na­ci­o­na­li­zada, pas­sando a ficar «ao ser­viço dos por­tu­gueses e não dos ac­ci­o­nistas e dos seus ban­queiros».

Con­vívio em Aveiro
Con­fi­ança ina­ba­lável

Image 10859


Três cen­tenas de pes­soas par­ti­ci­param, sá­bado, no con­vívio re­gi­onal de Aveiro do PCP, re­a­li­zado no Parque de Lazer da Várzea, em Santa Maria da Feira. Pre­sente es­teve também o Se­cre­tário-geral do Par­tido que, na sua in­ter­venção, co­mentou o acórdão do Tri­bunal Cons­ti­tu­ci­onal re­la­tivo aos cortes nos sub­sídos. Para o di­ri­gente co­mu­nista, «não houve in­cons­ti­tu­ci­o­na­li­dade em que os tra­ba­lha­dores do sector pri­vado re­ce­bessem o seu sub­sídio de Natal e de fé­rias, a in­cons­ti­tu­ci­o­na­li­dade é no não pa­ga­mento na Ad­mi­nis­tração Pú­blica».

Para Je­ró­nimo de Sousa, «nos tempos di­fí­ceis que atra­ves­samos, também este con­vívio é uma de­mons­tração de que o nosso Par­tido, os nossos amigos e os seus mi­li­tantes não perdem a con­fi­ança para con­ti­nuar a luta por um Por­tugal com fu­turo».

Já Luís Quin­tino, da Di­recção da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal de Aveiro do Par­tido, va­lo­rizou as lutas tra­vadas no dis­trito e as con­di­ções di­fí­ceis em que se re­a­li­zaram. Para este di­ri­gente, me­recem des­taque es­pe­cial as lutas dos tra­ba­lha­dores da Mo­ve­a­veiro, da Ca­lifa, da Jo­a­quim Lima, da ECCO, da Ad­mi­nis­tração Cen­tral e Local, dos pro­fes­sores, dos en­fer­meiros ou dos mé­dicos. A sua «com­ba­ti­vi­dade e uni­dade são de­ci­sivas para de­fender os seus di­reitos», re­alçou o di­ri­gente co­mu­nista.

Luís Quin­tino des­tacou ainda a ne­ces­si­dade de re­forçar o Par­tido em todos os planos – or­gâ­nico, po­lí­tico e elei­toral –, va­lo­ri­zando os passos já dados nesse sen­tido. Ainda em 2012, acres­centou, serão re­a­li­zadas 10 novas as­sem­bleias de or­ga­ni­zação no dis­trito e desde Ja­neiro ade­riram ao Par­tido 30 novos mi­li­tantes.

Fi­lipe Mo­reira, da JCP, re­alçou que o Go­verno PSD/​CDS, «apoiado pelos grandes grupos eco­nó­micos, fa­lhou, está a fa­lhar e vai fa­lhar no fu­turo». É, por isso, ne­ces­sário que «nos man­te­nhamos unidos e que lu­temos contra este pacto de agressão que nos su­foca, que lu­temos por uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda que nos co­loque em bom rumo, no rumo do pro­gresso, da igual­dade, do so­ci­a­lismo».

Fes­tival Avan­tinho

Image 10858


Na sexta-feira e no sá­bado teve lugar, em Matos de Cima, An­sião, o Fes­tival Avan­tinho, pro­mo­vido pela Or­ga­ni­zação Re­gi­onal de Leiria do PCP. Cerca de 800 pes­soas pas­saram pela ini­ci­a­tiva, que teve muita mú­sica, con­vívio, ani­mação de rua, es­cul­tura e pin­tura ao vivo e, claro, in­ter­venção po­lí­tica – que es­teve a cargo de João Frazão e Jorge Pires, mem­bros da Co­missão Po­lí­tica.

No sá­bado à noite, re­a­lizou-se na­quele local a final na­ci­onal Centro do con­curso de bandas da JCP, de que damos conta na pá­gina 12.

 



Mais artigos de: Em Foco

Intensificar a luta

Muitas cen­tenas de di­ri­gentes e de­le­gados sin­di­cais, afectos à CGTP-IN, e mem­bros de co­mis­sões de tra­ba­lha­dores, par­ti­ci­param, quinta-feira, num Ple­nário Na­ci­onal de Sin­di­catos, onde foram dis­cu­tidas as me­didas a tomar contra a re­visão da le­gis­lação la­boral, a in­ter­venção a de­sen­volver nos lo­cais de tra­balho para efec­tivar os di­reitos con­sa­grados na con­tra­tação co­lec­tiva e as­se­gurar a me­lhoria dos sa­lá­rios, de forma a com­bater a pressão que vem sendo exer­cida com vista à sua re­dução pro­gres­siva. Também o com­bate ao de­sem­prego e à pre­ca­ri­e­dade, assim como as ac­ções a de­sen­volver nesta área, es­ti­veram em de­bate.