Comunistas exigem reforma agrária
O Partido Comunista do Paraguai reagiu à morte de nove camponeses sem-terra e sete polícias durante uma operação de expulsão de terras ocupadas no Nordeste do país, considerando que «as balas atingem o pobres, enquanto a impunidade protege a oligarquia mafiosa».
Em comunicado divulgado no dia dos acontecimentos, sexta-feira, 15, os comunistas paraguaios denunciaram que as terras em causa foram roubadas ao Estado pelo latifundiário Blas Riquelme, e que, a propósito do conflito, está a ser revigorada a campanha golpista contra o presidente Fernando Lugo.
Reagindo ao desfecho trágico do confronto, Lugo demitiu imediatamente o responsável governamental pela segurança interna, Carlos Filizzola, e o comandante da Polícia Nacional, Paulino Rojas.
«Basta de criminalizar as lutas dos camponeses. Está na hora de terminar com o latifúndio e com a impunidade dos usurpadores e senhores da terra no nosso país, como Riquelme e as transnacionais produtoras de soja», diz o Partido Comunista do Paraguai, para quem «os culpados desta crise sangrenta são os que recusam acatar medidas de elementar justiça como a reforma agrária», a qual, defende ainda o Partido, deve avançar «mediante a recuperação das terras roubadas e a expropriação das parcelas improdutivas e a sua distribuição pelos trabalhadores rurais e comunidades indígenas».