Mais de 10 mil na manifestação do PCP no Porto

Demonstração de força e combatividade

Inês Seixas (fotos)

Milhares de homens, mulheres e jovens responderam ao apelo do PCP e deram corpo, no passado sábado, a uma enorme manifestação que percorreu a baixa portuense em luta contra o pacto de agressão. Aquela que foi uma das maiores manifestações de sempre do PCP no distrito conquistou a sua memorável grandiosidade graças à combatividade que demonstrou, à necessidade imperiosa de continuar a luta por um Portugal com futuro que dela transpareceu, à calorosa recepção com que a população do Porto a recebeu e incentivou.

 

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À medida que a ruidosa manifestação se estendia a partir do Campo 24 de Agosto, ruas tradicionalmente dedicadas ao comércio e lazer eram transformadas em artérias vivas da luta por uma sociedade mais justa; e quando, no final do percurso – ainda muitos milhares se esforçavam por entrar em Santa Catarina –, se iniciou o comício onde iria intervir o Secretário-geral do PCP, Bermiro Magalhães, membro da Direcção da Organização Regional do Porto e do Comité Central do Partido, anunciou que mais de 10 mil pessoas estavam ali para dizer Não! ao pacto de agressão, já todos sabiam que aquela era, de facto, uma enorme manifestação.

Perante uma Rua de Santa Catarina transfigurada pelos milhares de pessoas que entusiasticamente participavam no comício, Jerónimo de Sousa afirmou que o PCP estava em luta «porque não aceitamos o rumo de ruína de desastre nacional que está a ser imposto ao País e aos portugueses»; porque «temos uma alternativa para servir o País e o povo»: uma «política alternativa – patriótica e de esquerda – capaz de afirmar os direitos dos trabalhadores e do povo e elevar as suas condições de vida, assente na promoção da produção nacional, na valorização dos salários e reformas, no controlo público dos sectores e empresas estratégicas».

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Referindo-se ao facto de se cumprir, neste mês de Maio, um ano que PS, PSD e CDS formalizaram o pacto de agressão que entregou os destinos do País à ingerência externa, o Secretário-geral do PCP reafirmou o aviso na altura feito pelo PCP: «não estamos perante uma ajuda ao País, mas diante de um programa destinado a aumentar a exploração do trabalho, a liquidar direitos sociais, a fazer regredir as condições de vida do povo e sugar o seu património e os seus recursos.»

Um ano volvido, a realidade do País confirma o aviso então feito: «Vemos o País confrontado com uma recessão económica» que devora «milhares de empresas, produção, vidas e emprego», levando a que mais de um milhão e duzentos mil portugueses estejam desempregados. A estes mesmos desempregados que tinham ouvido na véspera o primeiro-ministro afirmar que o desemprego tem o seu lado positivo, ao criar novas oportunidades na vida dos trabalhadores, Jerónimo de Sousa garantiu: «O povo português, um dia, seguirá o seu conselho despedindo-o e demitindo-o, ao seu Governo e à sua política!»

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O Secretário-geral comunista acrescentou ainda, a propósito das alterações ao Código de Trabalho aprovadas na Assembleia da República com a abstenção do PS, que este «faz muitas ameaças de ruptura, mas fica, nos momentos cruciais em que estão em causa os interesses populares, sempre sentado na sua inócua retórica de falsa oposição».

Após saudar aqueles que, não sendo comunistas, estão com o PCP na luta em defesa do País e da sua soberania e apelar à participação nas lutas que se avizinham – nomeadamente as grandes jornadas de Junho promovidas pela CGTP-IN no Porto e em Lisboa – Jerónimo de Sousa encerrou a sua intervenção reafirmando que é urgente romper com este pacto de agressão, rejeitando-o e fazendo «uma renegociação da dívida assente numa reavaliação dos prazos, e a redução de juros e montantes», apurando a sua componente ilegítima e assegurando uma «política virada para o crescimento económico».

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A luta continua já no dia 26, com uma nova manifestação do PCP, desta feita em Lisboa.



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