Mini dose
A execução orçamental referente ao primeiro trimestre do ano aí está a testemunhar a espiral recessiva para a qual o País foi arrastado: uma espiral alimentada numa relação causa-efeito, em que a cada direito e rendimento roubado corresponde menos receita gerada pela perda do poder de compra, mais desemprego e encerramento de empresas, logo menos impostos gerados, mais recessão e aumento do défice das contas públicas, num processo que arrasta o País para o abismo económico e social. Uma espiral de medidas que, em nome do equilíbrio das contas públicas, prossegue o exclusivo objectivo que a concretização desta política e a imposição do pacto de agressão têm em vista: assegurar níveis de exploração ainda mais brutais, destruir direitos sociais adquiridos aos longo de décadas e condenar os trabalhadores e o povo ao empobrecimento, para assegurar ao grande capital e aos grupos económicos as condições para, no quadro da actual crise do capitalismo, continuarem a manter lucros imensos. Um pacto que une todos e cada um dos seus subscritores e que encontra também na sua concretização, para lá das mais mal que bem ensaiadas manobras de diversão, a mesma identidade e determinação quer por parte de PSD e CDS, quer do PS. Naquele desajeitado ar de, por força dos comprometimentos e cumplicidades, não conseguir, por mais que o pretenda, apresentar-se diferente do que é, o PS não pára de surpreender pelo ridículo. Passada a era das abstenções violentas; ultrapassado que foi nas ridículas manobras para ensaiar distanciamento no processo de ratificação das novas imposições europeias de usurpação da soberania nacional; encaminhado que está o apoio e cobertura às alterações à legislação laboral para assegurar novos níveis de exploração – António José Seguro veio agora enfatizar que o que está mal não é o programa de austeridade, necessário e indispensável, mas sim a dose em que é aplicado. Ou seja, tudo uma questão de dosagem na prescrição por parte do grande capital e da sua receita de liquidação nacional.