Mini dose

Jorge Cordeiro

A exe­cução or­ça­mental re­fe­rente ao pri­meiro tri­mestre do ano aí está a tes­te­mu­nhar a es­piral re­ces­siva para a qual o País foi ar­ras­tado: uma es­piral ali­men­tada numa re­lação causa-efeito, em que a cada di­reito e ren­di­mento rou­bado cor­res­ponde menos re­ceita ge­rada pela perda do poder de compra, mais de­sem­prego e en­cer­ra­mento de em­presas, logo menos im­postos ge­rados, mais re­cessão e au­mento do dé­fice das contas pú­blicas, num pro­cesso que ar­rasta o País para o abismo eco­nó­mico e so­cial. Uma es­piral de me­didas que, em nome do equi­lí­brio das contas pú­blicas, pros­segue o ex­clu­sivo ob­jec­tivo que a con­cre­ti­zação desta po­lí­tica e a im­po­sição do pacto de agressão têm em vista: as­se­gurar ní­veis de ex­plo­ração ainda mais bru­tais, des­truir di­reitos so­ciais ad­qui­ridos aos longo de dé­cadas e con­denar os tra­ba­lha­dores e o povo ao em­po­bre­ci­mento, para as­se­gurar ao grande ca­pital e aos grupos eco­nó­micos as con­di­ções para, no quadro da ac­tual crise do ca­pi­ta­lismo, con­ti­nu­arem a manter lu­cros imensos. Um pacto que une todos e cada um dos seus subs­cri­tores e que en­contra também na sua con­cre­ti­zação, para lá das mais mal que bem en­sai­adas ma­no­bras de di­versão, a mesma iden­ti­dade e de­ter­mi­nação quer por parte de PSD e CDS, quer do PS. Na­quele de­sa­jei­tado ar de, por força dos com­pro­me­ti­mentos e cum­pli­ci­dades, não con­se­guir, por mais que o pre­tenda, apre­sentar-se di­fe­rente do que é, o PS não pára de sur­pre­ender pelo ri­dí­culo. Pas­sada a era das abs­ten­ções vi­o­lentas; ul­tra­pas­sado que foi nas ri­dí­culas ma­no­bras para en­saiar dis­tan­ci­a­mento no pro­cesso de ra­ti­fi­cação das novas im­po­si­ções eu­ro­peias de usur­pação da so­be­rania na­ci­onal; en­ca­mi­nhado que está o apoio e co­ber­tura às al­te­ra­ções à le­gis­lação la­boral para as­se­gurar novos ní­veis de ex­plo­ração – An­tónio José Se­guro veio agora en­fa­tizar que o que está mal não é o pro­grama de aus­te­ri­dade, ne­ces­sário e in­dis­pen­sável, mas sim a dose em que é apli­cado. Ou seja, tudo uma questão de do­sagem na pres­crição por parte do grande ca­pital e da sua re­ceita de li­qui­dação na­ci­onal.



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