PCP quer apoiar pequenos agricultores

Defender a produção nacional

O PCP de­fende que os cen­tros de se­cagem de Al­cácer do Sal e de Águas de Moura sejam ce­didos à As­so­ci­ação de Agri­cul­tores do Dis­trito de Se­túbal e apre­sentou no Par­la­mento um pro­jecto de re­so­lução nesse sen­tido.

A luta dos agri­cul­tores foi es­sen­cial para al­cançar con­quistas

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Os co­mu­nistas pro­põem que esta ce­dência tenha a du­ração de 20 anos e pre­tendem que os in­ves­ti­mentos ne­ces­sá­rios sejam re­a­li­zados com re­curso ao PRODER. Para o PCP, a ini­ci­a­tiva jus­ti­fica-se na pers­pec­tiva da «de­fesa da pro­dução na­ci­onal, da aposta no de­sen­vol­vi­mento da agri­cul­tura e na so­be­rania ali­mentar, do apoio e ga­rantia do ren­di­mento e da ac­ti­vi­dade dos pe­quenos e mé­dios agri­cul­tores».

No texto que en­quadra o pro­jecto de re­so­lução, os co­mu­nistas lem­bram que a ex­tinção da EPAC «trouxe di­fi­cul­dades acres­cidas aos pe­quenos e mé­dios agri­cul­tores, so­bre­tudo para aqueles que não pos­suíam se­ca­dores, su­jei­tando-se aos preços im­postos e to­tal­mente de­pen­dentes dos in­dus­triais que de­ti­nham os se­ca­dores». E re­cordam que a gestão dos dois cen­tros de se­cagem da ex-EPAC, a partir de 2003, pela As­so­ci­ação dos Agri­cul­tores do Dis­trito de Se­túbal (AADS), fruto da luta tra­vada na re­gião, con­tri­buiu para «di­na­mizar a ac­ti­vi­dade agrí­cola e me­lhorar os seus baixos ren­di­mentos». Como con­sequência, o preço à pro­dução foi va­lo­ri­zado e os custos de se­cagem e ar­ma­ze­na­mento re­du­zidos.

Ao longo destes nove anos, re­alçam ainda os co­mu­nistas, a ADSS fez avul­tados in­ves­ti­mentos, quer na compra de equi­pa­mentos para cál­culo da hu­mi­dade do arroz, fun­da­mental para o ren­di­mento dos agri­cul­tores, quer no aper­fei­ço­a­mento do pro­cesso de se­cagem e ar­ma­ze­na­mento. Nesse pe­ríodo, pro­cedeu-se sempre à en­trega das so­bras do arroz aos agri­cul­tores e anu­al­mente seca-se cerca de sete mil to­ne­ladas de arroz, va­lo­riza o PCP.

 

Go­verno dos agrá­rios

 

Em ne­go­ci­a­ções entre o Go­verno e a As­so­ci­ação de Agri­cul­tores do Dis­trito de Se­túbal no início do ano pas­sado, ficou acor­dado que os cen­tros de se­cagem se­riam ce­didos por 20 anos à as­so­ci­ação me­di­ante a re­a­li­zação de in­ves­ti­mentos que per­fi­zessem um de­ter­mi­nado valor – 450 mil euros em Al­cácer do Sal e 335 mil em Águas de Moura. Desde Fe­ve­reiro de 2011 que não houve mais ne­nhum con­tacto do Mi­nis­tério da Agri­cul­tura com a ADSS sobre esta questão, «tendo o pro­cesso fi­cado pa­rado», re­corda o PCP no texto do pro­jecto de re­so­lução.

Foi, assim, com «sur­presa» que em Fe­ve­reiro deste ano, a As­so­ci­ação de Agri­cul­tores do Dis­trito de Se­túbal tomou co­nhe­ci­mento do anúncio da venda em hasta pú­blica do centro de se­cagem de Al­cácer do Sal, pre­vista para o dia 14 de Março de 2012. A de­cisão partiu do ac­tual Go­verno, que não in­formou a as­so­ci­ação, com quem foi ini­ciado e não con­cluído um pro­cesso de ce­dência.

Para o PCP, na base da re­vi­ra­volta do Go­verno de­verá estar a in­tenção da as­so­ci­ação de grandes pro­du­tores de arroz (APARROZ) em ad­quirir o centro de se­cagem de Al­cácer do Sal por 600 mil euros, «exac­ta­mente o mesmo mon­tante de li­ci­tação ins­crito no anúncio de hasta pú­blica». Aquela es­tru­tura está ava­liada em cerca de 1,2 mi­lhões de euros.

O Go­verno pre­pa­rava-se, por­tanto, para vender «de uma forma en­ca­po­tada e si­len­ciosa», o centro de se­cagem por me­tade do preço aos grandes agrá­rios, todos eles pos­sui­dores de se­ca­dores pró­prios. Isto per­mi­tiria aos agrá­rios voltar a es­magar os pe­quenos e mé­dios agri­cul­tores com con­di­ções in­sus­ten­tá­veis.

O Go­verno acabou por sus­pender a venda a poucos dias da sua efec­ti­vação. A sus­pensão deve-se, na opi­nião dos co­mu­nistas, à luta e à con­tes­tação dos pe­quenos e mé­dios agri­cul­tores do dis­trito de Se­túbal.



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