O roubo
A semana passada ficou marcada pelo diz-que-disse em torno do roubo dos subsídios de férias e de Natal.
Em geral, as declarações dos membros do Governo e dos comentadores de serviço limitam-se a discutir a forma da coisa: Gaspar mentiu, não sabia ou teve um lapso? Maria Luís Albuquerque trocou-se nas contas ou precipitou-se? Passos Coelho tirou o tapete aos ministros, enganou os portugueses ou foi um caso de má comunicação?
As conjecturas são elevadas ao nível maquiavélico se os comentadores forem Marcelo Rebelo de Sousa ou o bando da quadratura do círculo. Pode até ser um exercício interessante – para quem goste de jogos florais ou de estratégia.
Passa é completamente à margem do essencial: um roubo é um roubo, chame-se como se lhe chamar. Ficar mais tempo com o produto do roubo ou começar a pagar mais tarde são factos que só agravam a situação. E é isso que o Governo de Passos e Portas está a fazer, perante a complacência do PS, entretido como anda a tentar disfarçar o que assinou no memorando da troika.
E é isso que tem de ser denunciado e combatido. Os subsídios de férias e de Natal fazem parte dos salários, são dos trabalhadores, e têm de lhes ser devolvidos. As próximas semanas serão de luta nas empresas, nos serviços e na rua, e culminarão com as comemorações populares do 25 de Abril e com um grande 1.º de Maio.
No 25 de Abril, afirmação de soberania do povo e do País, exemplo maior de que a luta de um povo pode derrotar os mais tenebrosos poderes, as comemorações populares em todo o país serão um momento privilegiado para afirmar que é nos valores de Abril que reside o futuro de Portugal.
No 1.º de Maio, dia histórico da luta dos trabalhadores, nas dezenas de localidades em que o movimento sindical unitário comemora o Dia do Trabalhador, vai ouvir-se bem alto a indignação de todos a quem os salários estão a ser roubados, a quem o direito a trabalhar é negado, a quem querem impor a exploração e a precariedade como regra. Façamos do 1.º de Maio um dia grande de luta e unidade.