Milhões enchem ruas de Espanha
Milhões de pessoas manifestaram-se, no domingo, 19, em 57 cidades de Espanha, contestando o projecto de reforma laboral do governo, que representa o maior ataque aos direitos dos trabalhadores desde a ditadura franquista.
Poderoso protesto antecipa greve geral em Espanha
À jornada de protesto, convocada pelas duas principais centrais sindicais de Espanha (CCOO e UGT), aderiam em massa milhões de pessoas organizadas em sindicatos, partidos e diferentes colectivos. O movimento de cidadãos 15M incorporou-se no poderoso protesto, que se fez acompanhar de apelos constantes à greve geral, decisão por enquanto ainda não anunciada pelas centrais sindicais, com excepção do País Basco, onde uma paralisação em todos os sectores foi marcada para o próximo dia 29, contra a «sangria» que representa o pacote laboral.
Em todo o caso, a jornada de domingo constituiu uma indicação clara ao governo conservador de Mariano Rajoy de que os trabalhadores estão dispostos a oferecer uma resistência acérrima à demolição dos direitos laborais já gravemente amputados por reformas anteriores.
Segundo o secretário-geral das CCOO, Ignacio Fernández Toxo, «estas manifestações são um aviso para que o Governo convoque as organizações sindicais e empresariais para abrir um processo de negociação que impeça uma escalada da deterioração do clima social no nosso país».
Segundo as estimativas da organização mais de meio milhão de pessoas desfilaram na capital madrilena, a que se somaram cerca de 450 mil na Catalunha, 50 mil em Gijon, quase 70 mil em Saragoça, 150 mil na Galiza, 25 mil no País Basco, 15 mil nas Baleares, cinco em Rioja, 25 mil em Castela-Mancha, 10 mil na Cantábria, 220 mil na comunidade de Valência, sete mil na Estremadura, 15 mil em Navarra, 30 mil em Múrcia, 80 mil nas Astúrias, 130 mil na Andaluzia, 80 mil em Castela e Leão, 60 mil em Aragão, 15 mil nas Canárias, 500 em Ceuta e 400 em Melilla.
Na capital, os manifestantes desfilaram atrás do pano em que se lia: «Não à reforma laboral injusta com os trabalhadores, ineficaz para a economia e inútil para o emprego».
Despedimentos low-cost
A reforma laboral, que agora seguirá a tramitação parlamentar, pretende reduzir as indemnizações por despedimento colectivo para 20 dias por cada ano de serviço até ao máximo de um ano de salário. No que toca ao despedimento sem justa causa, a indemnização baixa de 45 para 33 dias. É esta a forma que o governo pretende estimular a criação de emprego.
Pelo contrário, os sindicatos afirmam unanimemente que tais medidas farão disparar o desemprego dos actuais 5,3 milhões para seis milhões de desempregados.
O clima de indignação levou, dois dias antes, as associações de estudantes do Secundário e do Superior da cidade de Valência a unirem-se numa marcha contra os cortes na Educação. Mais de dez mil jovens saíram às ruas apelando às Comisiones Obreras (CCOO) e à Unión General de Trabajadores (UGT) para que coordenem um plano de luta que, em seu entender, deveria desembocar numa greve geral em todos os estabelecimentos de ensino e locais de trabalho.