Mergulhados na crise
As medidas de austeridade aplicadas vários países estão a ter preocupantes efeitos recessivos. Assim o indicam os últimos dados relativos a Espanha, Itália e Grécia.
Medidas restritivas empurram Espanha e Itália para a recessão
A obsessão dos governos pela redução dos défices orçamentais está a arrastar a economia espanhola, a quarta maior da UE, para uma recessão. No último trimestre de 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma quebra de 0,3 por cento em relação ao trimestre anterior devido à queda do consumo das famílias (-1,1%), à contracção da despesa pública (3,6%) e ao descalabro do investimento das empresas (-6,2%).
Apesar de os dados do Instituto Nacional de Estatística espanhol assinalarem um ligeiro crescimento de 0,7 por cento em termos anuais, a tendência recessiva da economia é evidenciada pela redução do mercado de trabalho, que recuou 3,3 por cento, o que significa a destruição líquida de 570 mil postos de trabalho em apenas um ano.
Também em Itália, as medidas de austeridade aplicadas primeiro por Silvio Berlusconi, depois pelo sucessor indigitado Mário Monti, fizeram com que a terceira economia da zona euro entrasse em recessão, com a queda do PIB em 0,7 por cento no quatro trimestre do último ano, depois de já se ter verificado uma contracção geral de 0,2 por cento no trimestre anterior. A desaceleração económica reduziu para apenas 0,4 por cento o crescimento registado ao longo do ano pelo Istat, o instituto oficial de estatística italiano.
PIB cai, dívida aumenta
Para este ano, o Istat prevê uma contracção do PIB de 0,6 por cento, ao mesmo tempo que o Banco de Itália dá conta de um agravamento da dívida do país em 2,98 por cento (dados de Dezembro de 2011), enquanto a dívida pública cresceu quatro por cento, atingindo um bilião e 879 mil milhões de euros.
O caso mais dramático observa-se na Grécia, país que está há mais tempo submetido aos programas da troika, que viu o respectivo PIB afundar-se sete por cento no quarto trimestre de 2011, em comparação com o período homólogo do ano anterior. A estatística oficial prevê que 2012 seja o quinto ano consecutivo de recessão, certamente ainda com maiores proporções por força das novas medidas de austeridade que reduzem salários e pensões para níveis sem precedentes.