Eles saber, sabem!
A política que o Governo está a tentar impor para os transportes públicos foi bem caracterizada pelo Partido na síntese – reduzir, encarecer, privatizar – onde a privatização é o objectivo estratégico e o resto são políticas destinadas a entregar mais este sector da nossa economia aos capitalistas, e fazê-lo em condições de lhes gerar lucros.
Traduzindo-se esta opção de classe em desvantagens tão grandes para os trabalhadores, os utentes e o País, ela tinha que ser, necessariamente, antecedida de uma gigantesca operação de propaganda, em curso, com o objectivo de neutralizar a resistência.
Nestas opções – nos transportes e em todos os sectores – não há nada de técnico, só de classe. As opções tomadas são erradas não por desconhecimento ou incompetência mas por perseguirem objectivos de classe que são antagónicos aos interesse – também de classe – das amplas massas.
O Governo tem toda a informação, os meios humanos mais do que suficientes para a processar e amplos mecanismos para a difundir – mas tudo está instrumentalizado ao serviço do capital. Os anexos aos «Estudos» que o Governo encomendou para acelerar a privatização dos transportes aí estão para o confirmar. Eles sabem que estas políticas vão reduzir 5 a 10% a utilização dos transportes. Eles sabem que para cada actual utente há dois para atrair para o sistema com outra política de oferta e tarifária, e até sabem os ganhos para o País que tal transferência traria. Eles sabem que a dívida das Empresas Públicas foi criada por 20 anos de desorçamentação. Eles sabem que as empresas públicas estão a ser esbulhadas para as privadas nos passes. Eles sabem que a Intermodalidade é o caminho e porque é que foi trilhado o oposto. Eles sabem que metade do que dizem é falso, e a outra metade são meias-verdades.
Eles saber, sabem. Mas a sua opção é outra, está determinada pelos interesses do grande capital, e traduz-se em opções que são sempre políticas mesmo quando parecem técnicas, e que não fazem mais do que reflectir o carácter do próprio sistema que as impõe. Aliás, como a nossa resistência e alternativa, que partindo da realidade social, e tendo um suporte técnico, é sempre política, e reflecte a nossa antagónica opção de classe.