Eles saber, sabem!

Manuel Gouveia

A política que o Governo está a tentar impor para os transportes públicos foi bem caracterizada pelo Partido na síntese reduzir, encarecer, privatizar onde a privatização é o objectivo estratégico e o resto são políticas destinadas a entregar mais este sector da nossa economia aos capitalistas, e fazê-lo em condições de lhes gerar lucros.

Traduzindo-se esta opção de classe em desvantagens tão grandes para os trabalhadores, os utentes e o País, ela tinha que ser, necessariamente, antecedida de uma gigantesca operação de propaganda, em curso, com o objectivo de neutralizar a resistência.

Nestas opções nos transportes e em todos os sectores não há nada de técnico, só de classe. As opções tomadas são erradas não por desconhecimento ou incompetência mas por perseguirem objectivos de classe que são antagónicos aos interesse – também de classe – das amplas massas.

O Governo tem toda a informação, os meios humanos mais do que suficientes para a processar e amplos mecanismos para a difundir mas tudo está instrumentalizado ao serviço do capital. Os anexos aos «Estudos» que o Governo encomendou para acelerar a privatização dos transportes aí estão para o confirmar. Eles sabem que estas políticas vão reduzir 5 a 10% a utilização dos transportes. Eles sabem que para cada actual utente há dois para atrair para o sistema com outra política de oferta e tarifária, e até sabem os ganhos para o País que tal transferência traria. Eles sabem que a dívida das Empresas Públicas foi criada por 20 anos de desorçamentação. Eles sabem que as empresas públicas estão a ser esbulhadas para as privadas nos passes. Eles sabem que a Intermodalidade é o caminho e porque é que foi trilhado o oposto. Eles sabem que metade do que dizem é falso, e a outra metade são meias-verdades.

Eles saber, sabem. Mas a sua opção é outra, está determinada pelos interesses do grande capital, e traduz-se em opções que são sempre políticas mesmo quando parecem técnicas, e que não fazem mais do que reflectir o carácter do próprio sistema que as impõe. Aliás, como a nossa resistência e alternativa, que partindo da realidade social, e tendo um suporte técnico, é sempre política, e reflecte a nossa antagónica opção de classe.



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