Fectrans e MUSP juntos pelos transportes

Governo favorece privados

A redução da oferta das transportadoras públicas apenas é vantajosa para as operadoras privadas, que recebem mais clientes e mais passageiros e ficam com menos pessoal nas empresas a privatizar.

Medidas desta gravidade exigem luta e protesto

A Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, da CGTP-IN, e o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos vão promover acções de luta e de protesto contra as medidas que estão a dar corpo à política de transportes do Governo na Área Metropolitana de Lisboa. Numa posição comum, divulgada segunda-feira em conferência de imprensa, a Fectrans e o MUSP pronunciaram-se sobre medidas em execução e previstas no relatório final do grupo de trabalho que o secretário de Estado nomeou, bem como sobre medidas que este tem vindo a anunciar.

Como eixo central, as duas estruturas apontam quatro objectivos: a redução dos custos do trabalho, a redução significativa do número de trabalhadores nas empresas públicas, a redução de serviços prestados à população e o aumento dos custos para os utentes. Trata-se de «medidas totalmente contrárias aos interesses do País, dos utentes e dos trabalhadores», que «visam criar todas as condições para a privatização das empresas que ainda são públicas, ficando o Estado com os custos da enorme dívida que, por opções políticas dos sucessivos governos, estas empresas foram obrigadas a contrair da qual resultam brutais encargos em juros, muito superiores aquilo que é pago de salários aos trabalhadores».

Na nota distribuída à imprensa recorda-se ainda o enquadramento político destas orientações, contempladas no relatório sobre «Adequação da oferta da rede de transportes colectivos e simplificação do sistema tarifário da Área Metropolitana de Lisboa», que é aplicação prática na região do «Plano Estratégico de Transportes», o qual, por seu turno, constitui a execução em Portugal das medidas preconizadas no «Livro Branco dos Transportes», publicado pela Comissão Europeia a 28 de Março de 2011.

A pretendida poupança que a redução da oferta pode propiciar servirá, afinal, para pagar despedimentos. O alargamento do Metro ao Aeroporto e à Reboleira só é considerado para justificar cortes na Carris e o Governo estará mesmo a atrasar a inauguração para depois de consumar a privatização. Além dos aumentos que o Governo anunciou para 1 de Fevereiro, haverá novo e significativo aumento de custos.



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