Jerónimo de Sousa em Castelo Branco

Derrotar o pacto para salvar o País

O apelo à luta contra o pacto de agressão dominou os discursos do Secretário-geral do PCP no sábado, em Castelo Branco e Lamego.

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No comício realizado no auditório do Instituto Português da Juventude em Castelo Branco, inserido na campanha do PCP Contra a exploração e o aumento do horário de trabalho, Jerónimo de Sousa voltou a realçar a necessidade e actualidade da luta pela rejeição do pacto de agressão. Para o dirigente do PCP, a derrota do pacto tornou-se «um imperativo e uma condição de luta por um Portugal com futuro».

Considerando que o pacto «mostra bem a natureza exploradora do capitalismo e a quem serve o processo de integração da União Europeia, comandado pelo grande capital económico e financeiro e pelas grandes potências», Jerónimo de Sousa afirmou que para a sua derrota, a luta dos trabalhadores e do povo «vai ser decisiva». E, em seguida, saudou e apelou à participação dos trabalhadores na «intensificação e multiplicação das lutas, nas empresas e locais de trabalho e nas ruas».

Para o dirigente comunista, «cada vez mais portugueses» compreendem esta luta do PCP e se associam a ela, como comprovam as lutas que estão em curso. Jerónimo de Sousa destacou ainda ser cada vez mais larga a compreensão de que as «soluções para os problemas do País, a salvaguarda do seu futuro, a garantia de um Portugal soberano e desenvolvido não estão no cumprimento do pacto de agressão, mas na sua recusa».

O ano de 2012, alertou Jerónimo de Sousa, trará «grandes dificuldades e perigos». Mas os comunistas têm «confiança nos trabalhadores e no povo» e na sua luta, bem como no Partido, no seu trabalho, capacidade de intervenção e acção. Esta acção «dará frutos», garantiu o Secretário-geral comunista.

 

Ao serviço do capital

 

Na sua intervenção em Castelo Branco, o dirigente do PCP abordou ainda alguns assuntos de evidente actualidade, como o aumento das taxas moderadoras na Saúde. «Chegámos ao ponto de uma urgência no hospital custar 20 euros e uma consulta não presencial ser taxada com três euros, ou ainda uma intervenção do enfermeiro custar quatro euros», repudiou. Jerónimo de Sousa acusou em seguida o Governo de falar do aumento das isenções quando, na verdade, o número «dos que perdem a totalidade mais os que perdem parte das isenções é maior» relativamente ao regime que vigorava anteriormente.

O dirigente comunista comentou ainda as declarações de Manuela Ferreira Leite acerca da sua defesa do pagamento dos tratamentos de hemodiálise por parte dos doentes com mais de 70 anos. Para Jerónimo de Sousa, para além de uma «brutalidade inaudita», esta posição da ex-ministra da Educação e das Finanças do PSD expressa um «pensamento político que quer fazer o seu caminho traçado pela mais impiedosa e fria insensibilidade social e pelo cego dogmatismo de uma doutrina que apenas serve o mercado e lucro capitalista».

Sobre a «democratização da economia» que o primeiro-ministro garante estar a levar a cabo, Jerónimo de Sousa afirma tratar-se de uma «nova e serôdia versão de capitalismo popular» que de democrática «não tem nada». Pelo contrário, está «assente no arbítrio empresarial, no espezinhamento dos direitos laborais e sociais e na redução ao grau zero da valorização do trabalho e dos trabalhadores, na política de privatizações para favorecer a centralização e concentração do poder económico e da riqueza nas mãos de uns poucos».

Referindo-se ainda à deslocação para a Holanda da sede da Jerónimo Martins, SGPS, o dirigente do PCP lembrou que operações deste género são «sustentadas num quadro legal construído à medida dos interesses» do grande capital. Mas não deixa, por isso, de ser «ilegítimo e inaceitável à luz dos interesses nacionais».

Lamego
Defender as valências do Hospital

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Antes do comício em Castelo Branco, Jerónimo de Sousa esteve em Lamego, onde foi recebido, nas instalações do novo Hospital do concelho, pela direcção do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. No encontro, foram abordadas questões relacionadas com as valências e serviços que o hospital irá comportar, tendo a delegação do PCP manifestado as suas preocupações pelas alterações para pior, no que se refere aos internamentos e aos cuidados continuados, relativamente ao projecto inicial.

Estas alterações, realçou na ocasião o PCP, não se podem desenquadrar daquilo que se está a passar no Serviço Nacional de Saúde, com o aumento das taxas moderadoras ou as crescentes dificuldades no transporte de doentes, o que demonstra um certo regresso ao passado e à concepção de que «quem quer saúde que a pague». Em seguida, o Secretário-geral do PCP reuniu-se com a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos de Saúde do Hospital de Lamego.

No almoço-convívio, o dirigente comunista referiu-se ao ataque em curso contra o Serviço Nacional de Saúde, considerando-o resultante do pacto de agressão.

 



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