Afeganistão

Barbárie à solta

A produção de ópio no Afeganistão aumentou 133 por cento em 2011. Segundo dados das Nações Unidas, citados pela AFP, o cultivo da papoila representou o ano passado 1,4 mil milhões de dólares, cerca de mil milhões de euros.

No total, 131 mil hectares de solo fértil são dedicados a esta cultura, dos quais, em 2011, foram extraídas 5,8 toneladas, isto é, mais do dobro da produção calculada para 2010, 2,2 toneladas.

Os mesmos indicadores, divulgados igualmente pela Lusa, afirmam que 90 por cento do ópio e heroína comercializados ao nível mundial provêm do território afegão. A ONU responsabiliza o negócio pela prevalência da corrupção e pelo financiamento da rebelião talibã.

A conclusão quanto ao envolvimento preponderante dos insurrectos islâmicos na cultura contrasta com documentos, publicados nos últimos anos, nos quais se sustenta que os ocupantes são quem mais promove a cultura de estupefacientes no país.

Os EUA – e a CIA em particular, cujos vínculos históricos com a produção e tráfico de drogas no país se encontram estabelecidos desde o início da reacção dos mujahidin contra a República Democrática do Afeganistão, apoiada pela URSS – chegam mesmo a proteger os produtores seus aliados e a combater os que se recusam a obedecer-lhes.

Acresce que é praticamente incontestável que, desde 1996, quando os talibãns fundaram no Afeganistão um emirado islâmico, a cultura foi quase completamente erradicada.

Paralelamente, no Afeganistão, é notícia outro facto resultante da barbárie consumada com as invasões e ocupações imperialistas do século XXI. Num vídeo divulgado na Internet, pode ver-se quatro soldados norte-americanos a urinarem sobre os cadáveres de supostos combatentes talibãs.

O episódio tem sido qualificado como um comportamento desviante face aos valores e condutas das forças armadas dos EUA. O Secretário da Defesa, Leon Panetta, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, repudiaram o sucedido. Garantiram mão severa para os militares responsáveis e consideraram tratar-se de um acto isolado. O Pentágono já abriu uma investigação, que diz exaustiva, para apurar os factos e punir os soldados identificados. Karzai e a ISAF-NATO defenderam o mesmo praticamente nos mesmos termos.

O por seu lado, o alegado porta-voz talibã, Zabihullah Mujahed, notou que «nos últimos 10 anos, houve centenas de actos similares que não foram revelados», mas descansou os militares e políticos dos EUA garantindo que tal não vai afectar as ainda insipientes negociações entre as partes em conflito.

Os norte-americanos temiam uma reacção semelhante à desencadeada depois da divulgação das torturas de Abu Grahib ou dos periódicos massacres de civis, quer no Afeganistão, quer no Iraque.



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