Braço-de-ferro no Egipto

Povo não desarma

Milhares de egípcios permanecem no centro do Cairo para forçarem as Forças Armadas a abdicar do poder. O Conselho Superior (CSFA), por seu lado, desdobra-se em manobras para aplacar as reivindicações populares.

A repressão dos últimos dias deixou 42 mortos e três mil feridos

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Na Praça Tahir, o povo trava com as altas cúpulas militares um braço-de-ferro e, para já, leva vantagem. Apesar da violência brutal desencadeada nos últimos dias pelo CSFA, da qual resultaram 42 mortos e três mil feridos, os que procuram conservar no fundamental as bases e a configuração da ditadura de Hosni Mubarak foram obrigados a um recuo táctico.

A repressão abrandou e o objectivo é, de novo, desmobilizar os milhões de egípcios que, nas ruas, não parecem aceitar menos do que a instalação de um regime de liberdade e democracia.

Para isso, o odiado ex-ministro da Defesa de Mubarak e actual líder do CSFA, Hussein Tantaoui, demitiu Essam Sharaf do cargo de primeiro-ministro e nomeou para chefe do governo outro titular ministerial durante a ditadura, Kamal el-Ganzouri.

Pelo meio, o Conselho militar, sempre com Tantaoui na condução do processo, chamou à conversa o ex-responsável pela Agência Internacional de Energia Atómica e candidato a candidato à presidência do país, Mohamed el-Baradei. O antigo presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, foi igualmente convocado.

Ambos terão dado o seu aval à tomada de posse de Ganzouri, cumprindo, na prática, o papel que a direcção político-militar vigente deles pretendia: desorientar as massas socorrendo-se da enorme popularidade de que gozam Baradei e Moussa.

Aparentemente, o plano não está a resultar, pois não só na Praça Tahir prossegue o protesto, como, logo no primeiro dia de «trabalho», Ganzouri foi brindado com uma manifestação junto à residência oficial.

Realizadas as manobras e esquecidos os recentes pedidos de desculpa pela brutal repressão sobre o povo, Tantaoui voltou a afirmar, domingo, que «[a junta militar] não vai tolerar qualquer pressão», e insistiu que o papel dos militares no Egipto não vai sofrer qualquer alteração na nova Constituição.

Entretanto, 17 milhões de egípcios foram convocados a votar, segunda e terça-feira. O sufrágio decorreu primeiro nas regiões do Cairo e Alexandria, facto a que não é alheio estas serem das zonas mais insurrectas desde o derrube da ditadura. Os demais 40 milhões de pessoas habilitadas a votar deverão fazê-lo a 11 de Janeiro.



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