A Zona de Conforto
Este sábado, uma cavalgadura recentemente nomeada Secretário de Estado da Juventude e do Desporto aconselhou os jovens desempregados portugueses a emigrar em vez de ficarem na sua zona de conforto. A criatura já havia há uns tempos deixado perceber a sua elevada concepção de política de juventude com o anúncio da privatização das Pousadas da Juventude e a extinção do Instituto Português para a Juventude.
Para a corja que está hoje no Governo, a executar um plano de liquidação de Portugal, estas medidas têm toda a lógica: não é o desemprego que está a mais em Portugal, são os desempregados; e se os desempregados estão a mais, então que se vão embora; e para se irem embora é preciso destruir todas as condições de cá se manterem; e se os jovens se têm que ir embora, então as Pousadas e as políticas de Juventude são desnecessárias e até contraproducentes; e as instalações podem ser entregues aos capitalistas para ganharem dinheiro com elas.
Nas contas do Governo, que são as contas do imperialismo, os portugueses sobram: sobram médicos e doentes; sobram professores e alunos; sobram motoristas e utentes; sobram reformados e jovens; sobram trabalhadores e desempregados.
Naquelas cabeças deformadas, o papel do Estado é apenas o de criar oportunidades para a aplicação de capital, proteger os capitalistas, e obrigar os madraços dos portugueses a trabalhar, destruindo as suas «zonas de conforto». E é hoje evidente que aquela coisa incómoda e velha de oito séculos conhecida por Portugal também faz parte dessas «zonas de conforto» que acham necessário destruir!
São os representantes políticos das classes dominantes, expondo o seu desprezo pelo trabalho e pelo povo, e são sumamente perigosos – são cegos, surdos e mudos às consequências sociais dos seus actos. Amanhã, quando chegar o seu Nuremberga, dir-se-ão inocentes por se terem limitado a cumprir ordens.
E esse amanhã chegará, construído na luta, e conquistado por um povo que, mais uma vez, imporá aos que desistiram de Portugal, a sua firme vontade de construir colectivamente um país.