O exemplo da luta!

Ângelo Alves

O PCP realizou anteontem, 18, uma importante acção de massas, de indignação e protesto, em Lisboa. As televisões trataram-na de forma breve tentando ignorar a sua real dimensão – mais de 5000 pessoas mobilizadas num muito curto espaço de tempo. Um diário atreveu-se a transformar essa grande mobilização em «centenas». Tais factos não surpreendem. A capacidade de mobilização demonstrada nesta acção, a extraordinária combatividade dos seus participantes e o discurso claro, acutilante e com proposta de alternativa do PCP não agrada àqueles que papagueiam e participam activamente na estratégia de disseminar o conformismo, a resignação e até o medo entre os trabalhadores e o povo português.

Os próximos tempos serão, tal como foi afirmado pelo Secretário-geral do PCP, de dura e intensa luta. Uma luta que não isenta de dificuldades, uma corrida de fundo onde o cansaço dos que lutam sempre, sejam quais forem as condições, se pode fazer sentir. Mas uma luta onde esses, por maior que seja o cansaço, por maiores que sejam as manobras de silenciamento da luta, por mais fortes que sejam as chantagens e as pressões do capital, do Governo e do imperialismo, não desistirão de lutar, pois têm a plena consciência de que estão em causa não só as suas próprias condições de vida, mas também o nosso presente e futuros colectivos e a sobrevivência de Portugal enquanto país soberano e independente.

O grande desfile do PCP teve a importância particular de demonstrar isso mesmo. Os homens e mulheres que desceram do Chiado à Rua Augusta demonstraram pela força, conteúdo e sobretudo determinação que fizeram sentir naquelas ruas, que existe muita gente determinada em dizer não! Que existe uma força determinada em construir a unidade de um povo em defesa dos seus direitos, do seu País, dos valores de Abril e de um futuro de progresso e justiça para Portugal. Os que desceram até à baixa de Lisboa, e muitos muitos outros, sabem bem que será a luta que determinará a evolução dos acontecimentos. E é isso precisamente que assusta os centros de comando e de (des)informação: o exemplo da luta! Uma luta que terá em Novembro um ponto alto, mas não final, com a realização daquela que poderá vir a ser uma das maiores greves gerais já realizadas no nosso País.



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