Sem apoios sociais pobreza duplicará
Sem as transferências sociais, a taxa de risco de pobreza em Portugal seria cerca do dobro do que é actualmente, concluiu um estudo da Pordata (base de dados sobre Portugal contemporâneo), notando que já hoje Portugal é o nono país da UE com a taxa de risco de pobreza mais alta.
A mesma fonte indica que, em 2010, existiam perto de milhão e meio de pensionistas que auferiam prestações inferiores ao salário mínimo, e outras 500 mil pessoas recebiam o Rendimento Social de Inserção.
Assim, no mesmo ano, após as transferências sociais, 17,9 por cento da população era pobre, isto é, vivia com um rendimento mensal (por adulto) próximo dos 400 euros, situação que abrangia 33 por cento dos agregados de idosos e 37 por cento dos agregados constituídos por um adulto com uma ou mais crianças.
A Pordata revela ainda que, descontado o efeito da inflação, o salário mínimo teve uma evolução de apenas 88 euros, desde que foi criado, na sequência da Revolução de Abril de 1974, até 2010. No que respeita às pensões mínimas de velhice e invalidez aumentaram apenas 38 euros no mesmo período.
Por outro lado, Portugal é o país da União Europeia com maiores desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres, com os primeiros a auferirem rendimentos seis vezes superiores aos dos mais pobres.