A descida

Apesar da conquista da maioria absoluta no parlamento regional da Madeira, Alberto João Jardim sofreu pela primeira vez um desaire eleitoral significativo: perdeu de uma assentada a maioria absoluta dos votos e das percentagens, descendo dos 64% obtidos em 2007 para os 48% destas eleições.

É claro que esta descida do PSD/Madeira é proporcional à subida do CDS/Madeira (que saltou dos 5,3% de 2007 para os 17,6% de agora), o que torna esta debandada do eleitorado, de um para outro partido, uma espécie de mudança de sala na mesma casa. E compreende-se: a demagogia rasteira que não teme qualquer ridículo é comum a Jardim e Portas, talvez com a diferença de Jardim conseguir exibir-se em cuecas e Portas ainda o não ter sido capaz.

Portanto, infelizmente, no imediato os madeirenses continuarão no mesmo atraso de vida: a reboque de jogos de poder e de interesses de uma clique política e social que é, genericamente, a mesma, apesar de espalhada por diversos partidos de direita.

E, configuradamente, o PSD/Madeira e o CDS/Madeira são dois deles.

 

Cortes

 

Fez título de 1.ª página no Público a notícia de que os «cortes» na Saúde pretendidos pelo Governo podem ter consequências contrárias no caso dos asmáticos, ou seja, os cortes saírem mais caros ao Estado pois provocam mais despesa. O alerta é dado por peritos, o que, segundo a notícia, terá levado o Governo a dizer que ainda não terá decidido nada sobre a anunciada redução nas comparticipações, um mês após ter anunciado que está a estudar a questão.

Entretanto, variados especialistas alertam para consequências graves e dramáticas dos cortes, nomeadamente mais despesa e mais casos de doenças não controladas.

Mas não só. Os cortes no Serviço Nacional de Saúde podem ameaçar a vida de muitos milhares de portugueses que sofrem de doenças perigosas, onde a ausência dos tratamentos e medicações significam a morte próxima. Basta pensar-se em todas as insuficiências crónicas, as doenças de foro oncológico ou a diabetes, só para exemplificar.

 

Duas notícias

 

No mesmo dia, surgiram duas notícias sobre Justiça.

Uma, resultante de estatísticas do Ministério da Justiça (MJ), dizia que, em 2009, houve 1489 pessoas em Portugal que, sendo arguidas em diversos processos-crime e já condenadas em primeira instância, acabaram por não sofrer qualquer condenação por terem prescrito os processos em que estavam condenadas. Tudo, obviamente, graças aos recursos intermináveis e à ainda mais interminável viagem pelos tribunais superiores.

A isto, a actual ministra promete mais «legislação» para pôr fim a «expedientes dilatórios». Tá bem, abelha...

A outra diz que a Justiça «quer facilitar acções de penhora das contas bancárias», avançando «propostas para reduzir as acções executivas paradas nos tribunais». Basicamente, pretende-se «dispensar» a decisão de um juiz para executar as penhoras e, ainda mais basicamente, trata-se de outra «exigência da troika».

Querem adivinhar qual destas «propostas» do MJ vai ser diligentemente posta em andamento?

 



Mais artigos de: Argumentos

A Oeste algo de novo

Um já quase totalmente esquecido livro de Erich Maria Remarque inspira, ainda que por antítese, o título destas duas colunas. Tenta-se assim prestar uma minúscula homenagem a uma obra progressista que o tempo e sobretudo o efeito dos diversos filtros impostos pela sociedade capitalista...

Palhaçadas sem arte

As gargalhadas de Berardo que ecoam entre as suas múltiplas declarações são um insulto que, mais uma vez, não vai ter resposta. Há gente que vive da grande impunidade que lhes é concedida. O objectivo de Berardo é transparente. Pretende confundir a opinião...

Raízes e metas dos «Sábios de Sião»

«A Religião é a utopia mais gigantesca, a mais metafísica que a História jamais conheceu. Ela representa a forma mais ampla de reconciliar aparentemente as reais contradições da história» (Gramsci, «Memórias do cárcere», 1971)....