Salário não dá!
Várias dezenas de trabalhadores consulares na Suíça, em greve há um mês para exigir a reposição do nível salarial, manifestaram-se, dia 29, junto ao Parlamento suíço, alertando os vários grupos parlamentares para a gravidade da sua situação.
Trabalhadores consulares protestam contra a indigência
Em resposta ao apelo dos manifestantes, um deputado do Partido Socialista helvético, Corrado Pardini, interpelou o governo, solicitando à ministra dos Negócios Estrangeiros que contacte o seu homólogo português e lhe exija que Lisboa «cumpra a sua obrigação perante os seus funcionários colocados na Suíça».
Pardini chegou mesmo a perguntar se o Governo suíço estaria disposto a tomar medidas enérgicas, «por exemplo, retirando a acreditação» ao embaixador português em Berna, para pressionar o Governo de Lisboa.
Em declarações citadas pela Lusa, o mesmo deputado helvético considerou que a situação dos trabalhadores consulares portugueses é «insustentável» e exigiu que as autoridades portuguesas «se preocupem com eles, porque não ganham o suficiente para viver neste país».
Marco Martins, delegado sindical dos trabalhadores consulares de Berna, por seu turno, revelou que as autoridades portuguesas pagam aos funcionários consulares na Suíça «salários pouco acima do limiar da pobreza, que neste país é de 2400 francos mensais».
O sindicalista lembrou que, em 2010, os salários eram, em média, de cerca de quatro mil francos suíços, «o que é considerado o mínimo para fazer face ao custo de vida na Suíça», mas entretanto sofreram cortes de 35 a 40 por cento, devido à desvalorização do euro face ao franco suíço, a que se juntaram este ano os cortes salariais de dez por cento na função pública.
A greve, desencadeada a 29 de Agosto, está a ser cumprida pelos trabalhadores da embaixada de Portugal em Berna, da missão junto da ONU em Genebra, dos consulados naquela cidade e em Zurique, bem como dos escritórios consulares em Sion e Lugano, segundo o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas.
No mesmo dia, duas dezenas de funcionários consulares na Suíça manifestaram-se em Lisboa, frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mostrando-se inflexível, o secretário de Estado das Comunidades recusou satisfazer as reivindicações dos grevistas. «O Governo compreende muito bem a situação destes trabalhadores, mas já tivemos oportunidade de dizer que não dispomos de meios para satisfazer a sua reivindicação», disse José Cesário no final de um encontro com representantes sindicais.