O domínio da mentira
No tempo da luta contra a «ditadura terrorista dos monopólios (associados ao imperialismo) e dos latifundiários», o que o fascismo proclamava era em princípio mentira e no pólo oposto ficava a verdade. Agora, nas condições do domínio do capital financeiro transnacional e da sua guerra social, ideológica e mediática, os governos da política de direita – PS/PSD/CDS –, tornaram a mentira na forma «natural» da sua política de promessas falsas e em factor estratégico do seu domínio de classe, sem o qual depressa seriam derrotados. Quando os seus mandantes peroram, o melhor é partir do princípio que mentem, e isto é ainda mais efectivo quanto ao «núcleo duro» das suas políticas.
Apenas três exemplos dum rol interminável.
Quando em 2006 Luís Amado, então MNE do PS, foi confrontado pelo PCP sobre o tráfico de prisioneiros de e para Guantánamo, que ainda continua por julgar, respondeu: se «se provar alguma conivência com uma ilegalidade demito-me». Hoje as provas reveladas pela Wikileaks são esmagadoras, além da autorização para «voos de repatriamento» para a tortura, Amado prometeu «total cooperação» e o seu Ministério reconheceu voos nos dois sentidos. Amado, Sócrates (e D. Barroso), pela mentira e cumplicidade em crimes contra a humanidade, deviam ao menos resignar a actividade política.
O inquérito oficial para esclarecer a operação de espionagem ilegal e violação de comunicações pelo SIED a um jornalista comprovou os factos mas «não pôde» concluir quanto à autoria e causas do crime, de que entretanto uma simples busca na Optimus descortinou o «bode expiatório». O Governo PSD/CDS e o PS são responsáveis por um Sistema de Informações estranho ao regime democrático e sujeito activo de crimes diversos – escutas, abuso de poder, ... – e pela mentira da «reposição da legalidade», quando visam apenas criar condições para prosseguir a sua perversão antidemocrática.
E a grande mentira – a de que o programa de agressão e submissão do PSD/CDS/PS visa a solução dos problemas nacionais, quando apenas cuida da taxa de lucro do capital financeiro, afundando o País no mesmo caminho da Grécia, da destruição da soberania e do desastre. Mentira e crime sem perdão – de que prestarão contas, mais cedo que tarde.