Direitos e salários
Milhares de trabalhadores suíços e estrangeiros, entre eles portugueses, desfilaram, no sábado, 24, em Berna, contra o dumping salarial e para exigir a negociação de uma nova convenção colectiva.
Operários na Suíça lutam pela contratação colectiva
A acção foi convocada pelo Unia, o maior sindicato da Suíça com cerca de 200 mil associados, e pelo Syna, outra estrutura multi-sectorial que reúne cerca de 60 mil associados. Indicando que aderiram ao protesto mais de 12 mil pessoas de vários pontos do país, ambas as estruturas consideraram que a manifestação em Berna ultrapassou todas as expectativas e foi seguramente uma das maiores dos últimos dez anos.
Em causa está a negociação de uma nova convenção nacional na construção civil que substitua a actualmente em vigor, cujo prazo expira no final do ano. Desde Fevereiro, os sindicatos batem-se pela negociação de um novo convénio, que consagre algumas melhorias para os perto de 100 mil operários e outros trabalhadores do sector.
O ramo da construção, salienta o Unia, está em pleno crescimento desde há anos. Em 2010 o volume de negócios aumentou 3,1 por cento, enquanto o emprego diminuiu 3,5 por cento. Certas empresas trabalham dia e noite, suprimem as pausas, obrigam o pessoal a efectuar dois turnos de seguida e não cumprem as normas de segurança. A pressão sobre os trabalhadores é tal que estes se sentem «espremidos como limões».
Tendo em conta o aumento substancial da produtividade e o facto de os salários mínimos estarem congelados há dois anos, os sindicatos exigem uma valorização de 100 francos suíços (cerca de 82 euros), a limitação dos trabalhadores temporários de sub-empreiteiros, que têm provocado o dumping salarial, bem como condições de trabalho dignas.
Porém, a associação patronal (SSE) tem insistido em propostas inaceitáveis, visando na prática desmantelar o actual acordo colectivo. Os empregadores pretendem condicionar o salário mínimo à avaliação dos chefes sobre o rendimento do trabalhador, excluir do convénio certas categorias profissionais, como condutores e operadores de máquinas, questionam a norma que proíbe os despedimentos em caso de acidente ou doença e até mesmo a reforma aos 60 anos.
Sentindo-se com a faca e o queijo na mão, a SSE suspendeu as negociações em Maio e desde então tem vindo a adiar sucessivamente novas reuniões. A forte resposta dos trabalhadores veio demonstrar a sua determinação de lutar por uma convenção até final do ano, de forma a evitar um vazio na contratação. Na concentração realizada no centro da cidade, foi aprovada uma resolução que admite o recurso a outras formas de luta em caso de fracasso das negociações.
Protestos convergentes
À manifestação da construção civil juntou-se meia centena de trabalhadores consulares portugueses em Berna e noutras cidades, segundo noticiou a Lusa, citando Jorge Veludo, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas (STCDE).
Em greve desde 29 de Agosto, estes trabalhadores exigem ser compensados pela desvalorização cambial do euro face ao franco suíço que, somada aos cortes salariais ocorridos na função pública, reduziu fortemente as suas remunerações.
O STCDE, que esperava ser recebido na terça-feira, 27, na Assembleia da República, marcou para hoje, quinta-feira, uma concentração em frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa.