Ataque à sede do PCC em Santiago
A sede central do Partido Comunista do Chile em Santiago, capital do país, foi alvo de um brutal ataque a 12 de Setembro, em pleno dia, perante a passividade das autoridades policiais.
O assalto foi repelido ao fim de uma hora apenas graças aos militantes
Cerca de meia centena de indivíduos atacaram a sede do PCC, provocando quatro feridos e destruição de vidros, portas e diverso mobiliário. Tudo aconteceu em plena luz do dia, na Praça Itália, no centro da cidade, testemunhado por dois polícias de trânsito, e de imediato denunciado aos Carabineros e à imprensa. O assalto foi repelido ao fim de uma hora apenas graças aos militantes
Para o secretário-geral do PCC, o deputado Lautaro Carmona, o PCC «não quer pensar que tal se tenha ficado a dever a uma decisão de deixar que as coisas fossem o mais longe possível para vir depois lamentar os acontecimentos e responsabilizar o Partido Comunista», ou que o os acontecimentos de dia 12 tenham alguma coisa a ver com com as denúncias feitas pelos comunistas sobre situações menos claras nos comandos dos Carabineros. «Não temos até agora nenhuma explicação séria e responsável por parte do Governo, e o que sabemos é que este grupo de provocadores associa a sua agressão ao Partido Comunista com o papel que este desempenha no movimento estudantil, no movimento sindical e no movimento dos direitos humanos, procurando, por esta via, reduzir a acção e a autoridade política – no bom sentido do termo – que os militantes do Partido e da Juventude têm nesses movimentos de massas» – afirmou o dirigente comunista em declarações à imprensa, lembrando que já anteriormente foram atacadas as sedes do Partido em Iquique e Temuco.
De referir que uma delegação do PCC, dirigida por Carmona, tentou no próprio dia 12 apresentar uma queixa formal ao ministro do Interior chileno, mas apenas conseguiu ser recebido por um oficial dos Carabineros «num canto de uma sala, de pé».
Solidariedade do PCP
O ataque de que foi alvo o PCC suscitou de imediato reacções de condenação em todo o mundo, entre as quais a do PCP, que enviou aos comunistas chilenos a seguinte mensagem do Secretariado do Comité Central:
«O Partido Comunista Português repudia veementemente os actos criminosos de agressão perpetrados contra o Partido Comunista do Chile nos últimos dias, nomeadamente o violento ataque desencadeado dia 12 de Setembro contra a sede do vosso partido em Santiago, cuja responsabilidade recai nos sectores mais retrógrados e reaccionários da sociedade chilena e nos seus agentes provocadores.
«Estes actos provocatórios são uma clara manifestação do mais primário e perigoso anti-comunismo - que traz à memória algumas das mais obscuras páginas da história recente do fascismo chileno - e uma deplorável tentativa de intimidação, visando conter o reforço do vigoroso movimento operário e popular e da sua luta por efectivas transformações democráticas e progressistas, que congrega já o apoio de milhões de chilenos.
«O PCP junta a sua voz às de todos aqueles que exigem um apuramento cabal das responsabilidades por tão bárbaros actos, a condenação e punição dos seus autores e a garantia pelo Estado chileno do livre exercício das liberdades e direitos democráticos e cívicos no Chile.
«O PCP reitera a sua profunda solidariedade para com o Partido Comunista do Chile, para com os seus militantes e activistas, bem como para com as lutas sociais em que convergem amplas camadas e sectores do movimento popular e dos trabalhadores chilenos.
«Certos de que os comunistas e o povo chilenos saberão responder às manobras de provocação e intimidação perpetradas pela reacção chilena com a sua força e unidade em torno das suas justas reivindicações e aspirações, enviamos-vos, queridos camaradas, as nossas fraternais saudações.»