Fim de comparticipações é inadmissível
«A Saúde deixa de ser um direito e uma prioridade e passa a ser tratada como uma área de negócio», conclui o Gabinete de Imprensa do PCP, depois da intervenção do ministro da Saúde, no dia 7 de Setembro, na Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República.
O ministro falou da Saúde e do SNS numa lógica estritamente empresarial, desvalorizando a importância do SNS e do seu papel na qualidade de vida do povo português. A sua intervenção procura esconder o facto de as dificuldades financeiras do SNS serem resultado da política de direita de sucessivos governos, cujo objectivo, agora já não escondem, é «privatizar uma parte substancial do SNS», com todos os custos daí resultantes para a generalidade da população.
Os cortes anunciados nas comparticipações do Estado na pílula contraceptiva e em três vacinas que integram o plano nacional de vacinação, confirmam a «natureza desumana e ideológica» da actual política, até porque a ideia da distribuição gratuita da pílula e das vacinas nos Centro de Saúde «é falsa», já que a carência em médicos de família, enfermeiros e outros profissionais não lhes permite uma resposta eficaz.
Mais, a não comparticipação da pílula e das vacinas vai traduzir-se pelo aumento inevitável do número de gravidezes indesejadas e o recurso ao aborto, no primeiro caso, e no segundo por sérios problemas na saúde a curto e médio prazo, sendo que, em ambos os casos, os custos para o SNS irão ser agravados.
A defesa do SNS universal, geral e gratuito e a luta contra as manobras que o põem em causa são, pois, «um imperativo nacional», conclui o PCP.