No PCP não há desânimo
É imperioso fazer frente às medidas do Governo e da troika, afirmou Jerónimo de Sousa num comício realizado no sábado, na Costa da Caparica, onde garantiu o empenho dos comunistas nos combates que é preciso travar.
Os comunistas sempre resistiram e lutaram mesmo em condições adversas
O comício estava marcado para a Praça da Liberdade, mas a instabilidade do tempo levou a que se realizasse no salão da colectividade Os Amigos da Costa. Esta alteração, devidamente sinalizada e difundida, não impediu que centenas de militantes e simpatizantes do PCP (de Almada e dos concelhos vizinhos, mas também muitos que ali gozavam as suas férias, para além dos que já acampavam na Quinta da Atalaia) enchessem por completo o recinto.
Na sua intervenção, o Secretário-geral do PCP fez a ligação entre o lema na campanha em que o comício se integrava e as tarefas que se colocam hoje aos comunistas, sublinhando a necessidade imperiosa de fazer frente aos despedimentos, à precariedade, ao aumento do custo de vida e ao afundamento do País.
Em alguns dos sectores da população até pode existir algum desânimo, mas para o PCP isso é algo que não existe: com 90 anos, o PCP enfrentou muitos momentos em que tudo convidava à rendição e à desistência, lembrou Jerónimo de Sousa, mas os comunistas sempre lutaram e resistiram, mesmo que à custa de pesados sacrifícios, e venceram. E com eles venceu o povo português.
Apelando aos militantes comunistas para que continuem a reforçar o Partido para que este seja capaz de responder às «exigências do nosso tempo», Jerónimo de Sousa deixou a garantia de que o PCP é um partido «firme, determinado e convicto de que isto não tem que ser sempre assim e que um dia mudará para melhor».
Sentimento de injustiça
Antes, Jerónimo de Sousa acusara o Governo de praticar uma política que penaliza quem vive do seu salário ou pensão ou tem um pequeno negócio, para favorecer os grandes grupos económicos e financeiros, nacionais e estrangeiros. As privatizações anunciadas e a alienação das participações especiais do Estado em grandes empresas nacionais, como a PT, a EDP ou a GALP, representam precisamente a ampliação da entrega da «riqueza nacional e do controlo da nossa economia» a esses grupos.
Mas não é tudo. Como afirmou o dirigente comunista, há um sentimento generalizado de injustiça no País, provocado pela profunda marca de classe existente em todas as medidas anunciadas pelo Governo: roubo no subsídio de Natal (isentando os rendimentos de capital), aumentos dos preços dos transportes públicos e de outros bens de essenciais e do IVA para a electricidade e o gás; facilitação e embaratecimento dos despedimentos. Relativamente às leis laborais, o Secretário-geral do PCP alertou para outras medidas que poderão estar na calha e rejeitou os argumentos adiantados pelo Governo que as pretende justificar com a criação de mais emprego. Um argumento, recordou Jerónimo de Sousa, utilizado desde que Mário Soares, com a lei dos contratos a prazo, abriu a porta ao desvirtuamento da legislação laboral.
O dirigente do PCP acusou ainda o Governo de empurrar, com a sua política, largos sectores da população para a pobreza para depois, hipocritamente, «promover a esmola». Não se promove a solidariedade retirando direitos para «oferecer restos e regimes de excepção para os pobres», afirmou Jerónimo de Sousa, lembrando que o «sonho maior de um pobre é deixar de ser pobre».
É possível fazer frente
Antes do Secretário-geral do PCP falou Antónia Lopes, da Direcção da Organização Regional de Setúbal, que se referiu ao impacto «especial» das medidas do Governo na região. Seja o aumento do preço dos transportes públicos ou a suspensão da construção da ponte Chelas-Barreiro e do Hospital do Seixal, bem como dos investimentos no projecto do Arco Ribeirinho Sul.
Recordando que também na região os comunistas estiveram sempre ao lado dos trabalhadores e das populações nas suas lutas pelo emprego e pelos direitos ou em defesa dos serviços públicos, Antónia Lopes realçou as vitórias alcançadas na CP, repondo os direitos contidos no Acordo de Empresa; na Fisipe, defendendo o direito aos feriados e alcançando um aumento na retribuição; na Transtejo e na OnoPacking, que viram os tribunais decidir a favor dos trabalhadores ilegalmente despedidos; na SN-Seixal, na Webastos e na Vanpro, garantindo vínculos permanentes onde se pretendia impor mais precariedade. Exemplos que mostram que «é possível fazer frente».