Cidade da Juventude

«Aqui respira-se um ambiente de Festa»

A Festa do Avante! é, cada vez mais, o espaço da juventude, que ali sente denunciados os seus problemas, que ali sonha com uma vida melhor, que ali se consciencializa para a necessidade de lutar contra o rumo de afundamento seguido, de ataque aos seus direitos, conquistados também por jovens como eles na Revolução dos Cravos. Em conversa com o Avante!, Cátia Lapeiro, Pedro Martins e Duarte Alves, contaram o que vai proporcionar este ano a Cidade da Juventude, erguida por jovens comunistas, seus amigos e amigos da Festa.

Os camaradas estão onde o Partido necessita

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«Para além da Festa ser já muito ligada às aspirações da juventude, este espaço procura retratar o que é a luta da juventude pelos seus direitos», afirmou Cátia Lapeiro, explicando que nos dias 2, 3 e 4 de Setembro quem se deslocar à Cidade da Juventude, bem ao lado do palco «25 de Abril», vai encontrar muitas actividades nas várias vertentes da arte e da cultura, que passam, por exemplo, no palco multiusos, por um festival de tunas, teatro, karaoke, DJ’s, workshops, demonstrações de dança, música acústica, ilusionismo. No espaço, os visitantes vão ainda poder encontrar uma banca com diversos materiais e o AGIT, o jornal da JCP. «Esta Festa é muito importante para divulgarmos o nosso jornal», afirmou, referindo que por toda a Quinta da Atalaia vão estar Brigadas de Contacto. «Todas estas brigadas vão falar sobre os problemas da juventude e alertar para as novas medidas do Governo PSD/CDS», sublinhou Cátia Lapeiro, recordando que a receptividade dos jovens, ao longo dos anos, «tem sido muito boa», «através de recrutamentos para a JCP», ou, simplesmente, pelo facto de «deixarem o seu contacto para obterem mais informações». «Das centenas de contactos dados, muitos resultaram em recrutamentos, com ficha de inscrição», revelou.

Do ponto de vista político, terão lugar três debates: «Juventude com Futuro é a Constituição do Presente»; «90 Anos das Juventudes Comunistas – 90 Anos de Luta da Juventude!» (no sábado); e «Fortalecer a FMJD, reforçar a luta juvenil anti-imperialista, por um mundo de paz, solidariedade e transformações sociais revolucionárias» (domingo).

 

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Espaço de combatividade

 

Até ao dia 2 de Setembro, quando os portões da Atalaia abrirem aos seus visitantes, muito há ainda para fazer na Cidade da Juventude. Duarte Alves está à frente, pela primeira vez, daquele espaço e de um grupo de jovens que, de maneira voluntária e solidária, constroem aquele local para acolher muitos milhares de outros jovens. «Estamos em contacto com muitos jovens, com personalidades diferentes, que aqui estão a ajudar a construir a Cidade da Juventude. São jovens que vão sair daqui com uma experiência muito positiva, que vão compreender o valor do trabalho colectivo, e passar por muitos momentos de solidariedade, de convívio e de amizade», comentou, frisando: «Quem faz uma brigada num ano, volta no ano a seguir, e vai repetir a experiência». «Há aqui um conjunto de experiências que muitos nunca tiveram, como pregar um prego ou apertar uma braçadeira», ironizou, informando que para além da Cidade da Juventude os jovens constroem ainda o Restaurante Vegetariano – onde se pode saborear alguns pratos como jardineira de soja, sopa à bolonhesa, ou gaspacho – e o sumos e baguetes. «Temos ainda vários jovens que vão estar na brigada dos toldos, nos espaços centrais. Os camaradas estão onde o Partido necessita», acrescentou.

Nos tempos livres, ocupam o seu tempo, de férias, a jogar futebol – «que é uma coisa de que a malta gosta» –, a «conversar, a jogar às cartas e, ao fim-de-semana, em convívios, pois organiza-se um jantar com várias actividades». «Há dias realizámos um debate sobre habitação e, dias antes, um outro sobre o ensino superior. Abordamos vários temas ligados aos problemas da juventude», reforçou Duarte Alves.

«Aqui respira-se um ambiente de festa, de combatividade. Este é um espaço onde a juventude se sente em casa, seja do ponto de vista do que são, ou da forma como vêem reflectidas as suas preocupações, os seus problemas», comentou Cátia Lapeiro.

 

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Promover a Festa

 

Ao mesmo tempo que muitos constroem a Festa, muitos outros promovem-na, sendo o Palco Novos Valores o seu expoente máximo, com as oito bandas que vão tocar ao Avante! já apuradas. São elas: An X Tasy (Algarve), God Bless Jack (Lisboa), But & Farra (Évora), Not Without Fighting (Setúbal), Quarteto de Bolso (Aveiro), Spittah (Porto), The Brainscape (Braga) e Basic Black (Vila Real).

Ao todo, a JCP realizou dezenas de eliminatórias e finais do concurso, que aconteceu um pouco por todo o País, contando com a participação de mais de uma centena de bandas. Iniciativas que envolveram milhares de jovens na defesa da cultura e na reivindicação de que a cultura é para todos.

«Cada vez mais, o concurso de bandas da JCP afirma-se pelo direito à cultura, que é aquilo que defendemos», comentou Pedro Martins, criticando, por exemplo, a «precariedade no mundo da música». «Este é um espaço onde as jovens bandas podem apresentar os seus trabalhos», acentuou, contando uma história que ilustra «a que ponto chegámos»: «A uma banda pediram-lhe dinheiro para poder tocar num determinado espaço. A muitos outros, apenas lhes deixam tocar covers. Não há abertura para mostrarem a sua música.»

«De ano para ano nota-se que o Palco Novos Valores tem mais prestígio, e as bandas reconhecem isso. Proporcionar aos jovens algo que não podem ter é a própria afirmação do concurso junto das jovens bandas», disse Cátia Lapeiro, frisando: «Esta é ainda uma grande oportunidade para comunicar com muitos jovens». «Há muitos que nos enviam as maquetas mesmo antes do concurso se iniciar», ilustrou ainda Pedro Martins.

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