Mais reduções na Linha de Cascais
«Os Verdes» questionaram, na semana passada, o Governo sobre a redução de circulação de comboios e falhas de segurança na Linha de Cascais.
Esta linha ferroviária não tem sido alvo do investimento
Numa pergunta dirigida ao Ministério da Economia e do Emprego, o deputado José Luís Ferreira deu conta de que a CP decidiu retirar cerca de 17 comboios com partida prevista da Estação de S. Pedro, incidindo estas supressões com as horas de ponta, o que se traduz em alterações diárias para os utentes das estações de S. Pedro, Parede, Carcavelos e Santos, verificando-se, de igual modo, a redução nos comboios no percurso inverso, desde o Cais do Sodré, nos mesmos horários.
A demora, segundo os utentes, passa a ser superior a meia hora, obrigando-os a efectuar transbordo na Estação de Oeiras, através da utilização do comboio com paragem em todas as estações, havendo uma sobrecarga de passageiros e, naturalmente, do tempo de transporte e piores condições de viagem.
Recorde-se que estas medidas de redução incidem sobre uma linha ferroviária que representa um importante eixo, e único, de circulação de passageiros entre as várias localidades que abrangem os concelhos de Cascais, Oeiras e alguma franja dos concelhos mais fronteiriços, como Sintra e Lisboa.
«De facto, tem-se verificado sucessivos atrasos, acidentes e um desconforto nos passageiros que sistematicamente têm de utilizar este meio de transporte, como paragens forçadas, supressão de comboios e alteração de linha, chuva dentro das carruagens, portas que não funcionam, ruídos estranhos, ar condicionado avariado sem se poder abrir qualquer tipo de janela», relata José Luís Ferreira.
Sobre as falhas de segurança, recordou que no dia 6 de Julho ocorreu um descarrilamento de uma composição junto à Estação do Cais do Sodré. «Esta linha ferroviária não tem sido alvo do investimento devido, nomeadamente a nível de capacidade de modernização e manutenção do material circulante e de desgaste, que actualmente se encontra no seu fim de vida útil», criticou o deputado, lembrando ainda que aquele é o «único meio de transporte colectivo para os utentes da Linha de Cascais, com um importante interface de ligação à rede de Metro de Lisboa e travessia de barcos».
Figueira da Foz
Encerramento das oficinas da EMEF
Os trabalhadores das oficinas da EMEF, da Figueira da Foz, foram confrontados, no final do mês de Julho, com o anúncio de encerramento daquelas instalações, através de um pedido de parecer solicitado pela Administração da Empresa à Comissão de Trabalhadores.
Há dias, durante um plenário de trabalhadores realizado nas instalações da Figueira da Foz, para o qual todos os grupos parlamentares foram convidados, ficou-se a saber que, no parecer, a Administração da Empresa não apresentava nenhuma fundamentação que sustentasse aquela decisão. Uma atitude que levou o Provedor da Justiça a dar razão à contestação apresentada pela Comissão de Trabalhadores.
«A vontade de encerrar as oficinas da Figueira da Foz não é novidade e tem vindo a ser paulatinamente preparada através de uma estratégia de redução progressiva da actividade deste estabelecimento, como aliás de toda a empresa», denuncia, numa pergunta dirigida ao Governo, José Luís Ferreira, deputado de «Os Verdes», que não esquece as políticas de «abandono» e «desinvestimento» no transporte ferroviário que se tem verificado nos últimos 30 anos em Portugal, e que se irão acentuar caso as medidas anunciadas pela CP no seu Plano de Actividades para 2011, o qual previa a eliminação de 468 trabalhadores da EMEF, venham a ser implementadas.
Bairro Cor de Rosa, Almada
Ruptura financeira
No seguimento de uma audiência, José Luís Ferreira interrogou o Executivo PSD/CDS acerca da actualização das rendas do Bairro Cor de Rosa, em Almada, que está a agravar a situação das famílias moradoras, levando-as, nalguns casos, à ruptura financeira.
Recorde-se que em Outubro de 2010 o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) decidiu, invocando a legislação do regime da renda apoiada, proceder à actualização das rendas dos moradores do Bairro Cor de Rosa. «Reconhecendo que não foram actualizadas as rendas durante alguns anos, por inoperância dos organismos tutelares, não nos podemos alhear do facto deste Bairro ser habitado por uma maioria de pessoas idosas e que, com o agravamento das condições sócio-económicas, como o aumento do preço dos transportes, congelamento das pensões, corte nos apoios sociais, aumento de despesas com a saúde, entre outros, estas famílias viram a sua vida em muito agravada», acentuou, frisando que a actualização das rendas «não foi uma actualização», mas sim «aumentos incomportáveis que chegam, nalguns casos, a 400 por cento».
Exemplo desta situação está, entre muitos outros casos, um pensionista que tem rendimentos de 600 euros por mês e que em 2015 irá passar a pagar 300 euros, ou seja, 50 por cento do seu rendimento.