Jornadas de protesto estudantil no Chile

Governo reprime

Milhares de estudantes de todos os graus de ensino do Chile voltaram, anteontem, às ruas de Santiago para exigirem uma educação pública, gratuita e de qualidade. O governo tornou a responder com violência.

«O PC do Chile convocou uma greve geral para 24 e 25 deste mês»

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Face à mobilização de alunos, pais e professores às primeiras horas da manhã na capital chilena, a polícia antimotim voltou à carga. Nem o facto de o percurso da manifestação ter sido previamente acordado com as autoridades valeu ao participantes. A polícia socorreu-se de canhões de água e granadas de gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, repetindo o ocorrido no final da semana passada.

De acordo com informações divulgadas por meios de comunicação latino-americanos, a marcha desta terça-feira foi ainda maior do que a da passada quinta-feira. O objectivo, disse a porta-voz da Confederação dos Estudantes do Chile, Camila Vallejo, era mostrar o apoio popular a profundas mudanças no sector, mas o governo liderado pelo empresário Sebastián Piñera revelou, de novo, que só conhece a linguagem da repressão.

Na quinta-feira, dia 4, as acções de massas estudantis foram proibidas ao abrigo de um decreto emitido durante a ditadura de Augusto Pinochet, mas os estudantes não desistiram e saíram à rua argumentando que a norma viola a Constituição do país.

Pelo menos 870 pessoas acabaram detidas pelos carabineiros na iniciativa em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade. O cenário descrito é o de uma autêntica batalha campal, com a polícia a perseguir os participantes no protesto, entrando mesmo dentro dos liceus onde estes se refugiaram.

A Amnistia Internacional (AI) pediu uma investigação urgente aos acontecimentos e fala em cargas indiscriminadas no centro da cidade de Santiago. Detenções arbitrárias sem qualquer acusação, uso excessivo da força, omissão de socorro a feridos, disparo de granadas de gás lacrimogéneo à queima roupa foram igualmente denunciadas pela AI e atestadas por imagens recolhidas por televisões locais.

O ministro Andrés Chadwick disse que «os carabineiros cumpriram integralmente as respectivas responsabilidades» e que «o governo apoia totalmente as suas acções», mas até a o Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, veio criticar publicamente a repressão.

 

O povo está indignado

 

A luta dos estudantes e professores chilenos conta com o apoio massivo da população. Segundo uma pesquisa recente, 80 por cento dos cidadãos consideram justas as reivindicações. Simultaneamente, um outro estudo garante que Piñera é o presidente com menor aprovação na história do Chile, gozando de apenas 26 por cento de simpatias.

As manifestações de desagrado fizeram-se ainda sentir com os cacerolazos (bater de tachos) de quinta-feira à noite em todo o território, e com a marcha de pais que, domingo, levou pelo menos 20 mil pessoas às ruas de Santiago.

Entretanto, o Partido Comunista do Chile veio repudiar a violência governamental e convocou os chilenos a uma greve geral. Para o presidente do Partido, Guillermo Teiller, o executivo de direita pretende instalar um clima de intimidação e repressão, pelo que os comunistas serão os primeiros a não aceitar que o Chile volte aos negros anos da ditadura. Neste contexto, Teiller chamou o povo a paralisar o país nos próximos dias 24 e 25 deste mês.

O PC do Chile garantiu ainda que tudo fará para proteger a dirigente da Confederação estudantil, Camila Vallejo, e o presidente do Sindicato dos Professores, Jaime Gajardo, alvos de ameaças de morte.



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