Terreno livre à barbárie
Em cerca de quatro de meses de guerra contra a Líbia, a NATO já bombardeou 1600 objectivos civis provocando um número de mortos difícil de determinar, mas que já andará próximo dos dois milhares, de acordo com os dados disponíveis. Só esta segunda-feira, nos arredores da cidade de Zliten, pelo menos 85 pessoas perderam a vida em dois bombardeamentos da Aliança Atlântica.
A NATO confirmou a operação mas negou que as vítimas sejam civis, ao que o governo líbio respondeu com a divulgação de imagens de alguns dos corpos das 33 crianças, 32 mulheres e 20 homens que diz terem sido atingidos.
O ataque foi direccionado contra a aldeia de Majar e terá sido levado a cabo em duas fases. Numa primeira foram lançadas três bombas, e numa segunda, quando a população acorreu ao local para socorrer os atingidos, foram lançadas outras tantas.
Nos últimos dias, Zlitan tem sido fustigada pelos bombardeamentos imperialistas. Sexta-feira da semana passada, pelo menos 32 pessoas morreram em mais uma investida. O Conselho Nacional de Transição e a NATO reivindicaram a morte de um dos filhos do coronel Muammar Kahdafi nesse mesmo ataque, mas as autoridades de Tripoli desmentiram tais informações e garantiram que Kamis Al-Kahdafi está vivo.
Na cidade, informa o correspondente da Telesur, tudo tem sido alvo dos agressores: casas que depois de bombardeadas não evidenciam a presença de militares ou armamento, escolas onde ficam apenas escombros de mobiliário e material académico, clínicas ou armazéns de alimentos.
Também a capital, Tripoli, não escapa à fúria imperialista. Na segunda-feira, pelo menos 15 mísseis caíram na metrópole em menos de 30 minutos, reportou Rolando Segura para exemplificar a intensificação da ofensiva, desta feita, desencadeada a partir do Mediterrâneo.
Acrescem as cada vez maiores dificuldades dos habitantes em adquirirem combustível, fruto da sabotagem de um oleoduto pelos rebeldes. Água potável e electricidade começam igualmente a ser um luxo.
Todo o tipo de atrocidades
Entretanto, a União Geral de Organizações da Sociedade Civil Líbia revelou que está a investigar o sequestro de 103 crianças líbias na cidade de Misrata, actualmente sob controlo dos amotinados. A meio de Julho, já o ministro dos Assuntos Sociais líbio, Ibrahim Sharif, havia denunciado o caso, acusando os rebeldes de terem levado para parte incerta os menores, alegadamente com a ajuda de barcos turcos, franceses e italianos.
No rol de atrocidades cometidas desde que o eixo euro-norte-americano e alguns dos seus lacaios na região iniciaram a guerra contra a Líbia, destaca-se, ainda, o êxodo e a morte de imigrantes.
No final da semana passada, cerca de uma centena de refugiados sucumbiram à fome e à sede durante a travessia até à ilha italiana de Lampedusa. O trágico desfecho foi relatado por alguns dos sobreviventes, que testemunharam também que os corpos foram lançados ao mar.
As autoridades de Roma acusam a NATO de não ter respondido ao apelo da guarda costeira transalpina para prestar auxílio de emergência a uma embarcação que transportava 400 refugiados. A Aliança Atlântica diz que vai apurar os factos, mas o resultado deve ser o mesmo do incidente anterior.
Recorde-se que, em Maio, um vaso de guerra francês ao serviço da NATO foi acusado de negar auxílio a um barco de refugiados: 61 dos 72 imigrantes acabaram por morrer.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Itália estima que, desde Março, pelo menos 1500 migrantes vindos da Líbia em embarcações tenham desaparecido durante a travessia do Mediterrâneo. A ACNUR diz ainda que já chegaram a Itália pelo menos 24 mil refugiados provenientes da nação agredida pelo imperialismo.