Mantém-se luta pelo emprego
O Governo não admite contrariar a falência
A empresa foi declarada insolvente a 20 de Maio, as últimas lojas encerraram a 17 de Julho e no dia 19 os trabalhadores reuniram e decidiram responder com a luta aos factos que vieram desmentir as perspectivas de viabilização, alimentadas pelo administrador da insolvência. Foi nessa reunião, na sede do seu sindicato, que ficou marcada a concentração de quarta-feira da semana passada, junto ao Ministério da Economia e Emprego, para exigirem uma intervenção do Governo para defender o emprego, nomeadamente apoiando a viabilização, e para garantir os direitos dos trabalhadores. Há salários por pagar e o património da empresa (a propriedade de vários estabelecimentos) foi transferido para outras firmas do mesmo grupo, nalguns casos recentemente – como foi assinalado na informação que o CESP/CGTP-IN divulgou, com as conclusões daquela reunião.
No dia 27, um dossier com uma exposição sobre a situação da empresa, até ao momento da insolvência, foi entregue ao secretário de Estado adjunto, da Economia e Desenvolvimento Regional. António Almeida Henriques recebeu uma delegação, mas «não deu nota de que o Estado, através do seu ministério, possa vir a dar grandes “esperanças” de intervenção neste processo». No comunicado que divulgou nessa tarde, o sindicato refere ainda que, perante a denúncia de «algumas situações menos “enquadráveis” numa normalidade, o governante apontou o poder judicial como a panaceia para os males apresentados pelos trabalhadores».
Na concentração, que se manteve na Praça de Luís de Camões ao longo da manhã, a informação dos representantes dos trabalhadores foi recebida com a reafirmação da «vontade de continuar a luta em defesa dos seus direitos».
A salientar a importância da intervenção do Governo para favorecer a viabilização, o CESP aponta alguns dos argumentos deixados no Ministério da Horta Seca: com a falência, o Estado perde todos os créditos que detém e fica com os encargos que resultarão dos desempregados da AC Santos e de empresas que esta arraste consigo; sem grandes custos acrescidos, a viabilização permite ao Estado manter centenas de empregos directos e indirectos; sem a viabilização, é eliminado mais um canal independente de distribuição da produção nacional, acentuando a concentração do comércio em meia dúzia de grupos, que esmagam os pequenos produtores.
Apontando a estes objectivos, o Governo deveria agir para viabilizar a AC Santos, mas deveria igualmente tomar medidas concretas para defender as pequenas e médias empresas do sector, que asseguram milhares de postos de trabalho – defende o sindicato.
Aos jornalistas que acompanharam a concentração, os trabalhadores da AC Santos declararam-se muito preocupados, porque muitos têm 30 ou 40 anos de casa e são considerados velhos para um novo emprego, mas novos para a reforma.