Pérolas ao desbarato
O PCP reagiu ainda à venda do BPN ao BIC e ao anúncio da composição da nova administração da Caixa Geral de Depósitos – mais dois exemplos da natureza de classe da política do novo Governo PSD/CDS.
O PCP defende a CGD pública e a recuperação para o Estado do sector financeiro
Comentando, na segunda-feira, a escolha da proposta do BIC no processo de venda do BPN e os contornos conhecidos desse negócio, Rui Fernandes, da Comissão Política do CC do PCP, acusou o Governo de vender o banco «da forma que melhor serve os grupos privados interessados, entregando ao desbarato um conjunto de activos que podiam e deveriam ser agora colocados ao serviço do País e da sua economia».
O BIC, banco de capitais angolanos e que tem como accionista Américo Amorim (revelado como o português mais rico), deverá pagar 40 milhões de euros pelo BPN ao mesmo tempo que promove o despedimento de metade dos cerca de 1500 trabalhadores. O dirigente do PCP lembrou que isto sucede «depois de “nacionalizados” os prejuízos do BPN, num valor nunca inferior a 2300 milhões de euros».
Chamando a atenção para os contornos «pouco claros e transparentes» do negócio, Rui Fernandes considera que o Governo está «fortemente apostado em apagar rapidamente o rasto dos prejuízos que o País já pagou e vai continuar a pagar com a intervenção no BPN». Ao mesmo tempo que «cria as condições para que, de mão beijada, um grupo privado se aproprie e venha a retirar enormes lucros do esforço de recuperação de uma instituição financeira que foi inteiramente custeada pelo povo e pelo País».
Rui Fernandes lembrou que a intervenção do anterior governo no BPN «deixou de fora um vasto e valioso património do grupo SLN/BPN, designadamente de natureza imobiliária, que poderia e deveria ter servido para evitar que a pesada factura provocada pela acção mafiosa do “bando” do BPN recaísse na bolsa dos portugueses e penalizasse o País». Na altura, o PCP defendeu que a existir uma nacionalização ela deveria ter abrangido a totalidade do grupo SLN e não apenas o banco. Só o PEV acompanhou o Partido no voto contrário a essa «nacionalização».
A estratégia do governo do PS relativamente ao BPN foi muito clara: «limpar» os prejuízos e os créditos incobráveis ou duvidosos, dos quais o Governo já reconheceu 1800 milhões (mas que pode ser «bastante superior»; proceder à privatização do banco limpo de passivos, pronto a dar lucros ao grupo privado que o viesse a adquirir. «Na prática, o Estado português pagará ao BIC para este comprar o BPN», acusou Rui Fernandes.
Os boys e os abutres
No dia 28 de Julho, o Gabinete de Imprensa do PCP emitiu um comunicado sobre a designação pelo Governo de uma nova administração do grupo Caixa Geral de Depósitos. Para os comunistas, quer pela sua composição quer pela estrutura definida, esta nova administração «corresponde aos objectivos impostos pela troika e assumidos por PSD, CDS e PS». Entre estes contam-se a privatização das empresas seguradoras do Grupo – Fidelidade, Bonança e outras –, responsáveis por 44 por cento da actividade seguradora em Portugal; a redução da actividade da CGD no plano internacional; e a venda de importantes participações da Caixa num conjunto de empresas estratégicas nacionais.
Para lá de aumentar significativamente o número de administradores, correspondendo à distribuição de alguns cargos por boys do PSD e do CDS/PP, a nova administração tem outra característica, como alerta o PCP: a inclusão à frente do banco público de «representantes directos dos interesses de alguns dos principais grupos económicos e financeiros do País».
A nova administração, prevê o PCP, «dará continuidade e aprofundará uma gestão do banco público que em vez da promoção e do apoio à actividade económica, da garantia do acesso ao crédito por parte da população, de apoio ao investimento público e à actividade produtiva, se fixará como pedra angular do criminoso processo de privatizações e saque dos recursos públicos e dos escandalosos apoios à banca privada que têm vindo a ser concretizados».
Lucros aumentam 19 por cento
Exploração na Corticeira Amorim
A Comissão Concelhia de Santa Maria da Feira do PCP exige aumentos de salários na Corticeira e no Grupo Amorim. Num comunicado de dia 1, os comunistas chamam a atenção para os lucros alcançados pela Corticeira Amorim no primeiro semestre deste ano: mais 19 por cento relativamente a 2010, ou seja, mais 13 milhões de euros.
Para o PCP, os números «espelham bem e escandalosamente os contrastes que se passam nesta empresa e, afinal, no próprio País». Para um punhado de grandes empresas são «lucros e mais lucros», ao mesmo tempo que aumentam as dificuldades para os trabalhadores e para a grande maioria do povo.
Os lucros anunciados, acusam os comunistas, «não se estão a reflectir nos salários dos trabalhadores, o que se revela de uma injustiça gritante e inaceitável, já que são precisamente os trabalhadores quem mais contribuiu, com a sua força de trabalho, para esse saldo extraordinariamente positivo». Os resultados alcançados pela Corticeira Amorim baseiam-se precisamente «numa cada vez maior exploração, discriminação e precariedade». Ainda recentemente, depois de ter concretizado um despedimento colectivo, a empresa recorreu a trabalhadores precários, lembram os comunistas.
A Corticeira Amorim é propriedade de Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal, com uma fortuna calculada em mais de 2587 milhões de euros. O PCP considera que esta fortuna, como outras, deve-se às políticas de concentração da riqueza promovida pelos sucessivos governos PS, PSD e CDS.