Aumentos brutais nos transportes
Reagindo à intenção do Governo de aumentar os preços dos transportes, suprimir carreiras e postos de trabalho, CGTP-IN e utentes anunciaram que promoverão acções de protesto com as populações, para forçar ao recuo daquelas medidas.
O encarecimento de passes e bilhetes está previsto para 1 de Agosto
Para uma família com passes sociais, o aumento anunciado de, em média, 15 por cento nos passes e bilhetes, a partir de 1 de Agosto, representará um acrescido esforço anual na ordem dos 200 euros, salientou a CGTP-IN, através de um comunicado de dia 22.
Lembrando que a medida constante no memorando da «troika», assumido pelo Governo PS, pelo PSD e o CDS-PP, «esconde o processo de descapitalização das empresas públicas do sector, que sucessivos governos têm levado a cabo», a central considera irónico que estas medidas sejam justificadas com a necessidade de cumprir compromissos, «esquecendo não só aqueles que não efectivou com aquelas empresas», na última década, «como nada dizendo quanto à regularização» destas situações. Esta realidade foi inclusivamente confirmada pelo Tribunal de Contas, num relatório de uma auditoria respeitante à situação na Carris, na STCP, no Metro de Lisboa e no Metro do Porto, recordou a central.
Para a CGTP-IN, o saneamento desta situação seria a forma de resolver os problemas económicos nestas empresas, «dotando-as de um quadro contratual claro onde sejam definidas responsabilidades do Estado e dos conselhos de administração, o que não se verificou no passado, acabando por dar cobertura a uma gestão desresponsabilizante».
Também o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa repudiou, num comunicado de dia 22, os aumentos anunciados pelo Governo, notando que estas medidas visam «preparar a privatização das empresas de transportes».
A este propósito, a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações tinha agendada para ontem uma conferência de imprensa conjunta com o Movimento de Utentes do Serviços Públicos (MUSP) e Comissões de Trabalhadores do sector.
Utentes mobilizam-se
O Movimento de Utentes do Serviços Públicos classificou os aumentos como «inadmissíveis» e «inqualificáveis». Num comunicado de dia 21, o grupo permanente do MUSP salientou que a supressão de carreiras também irá reflectir-se ao nível da mobilidade das populações, e criticou as medidas que considera irem fomentar, ainda mais, o uso do transporte individual.
Para este Movimento, o aumento dos preços é «prova evidente de que este Governo actua e reage em conformidade com os interesses e objectivos dos grandes grupos económicos e em clara capitulação perante os desígnios da troika, com prejuízos enormes para a economia nacional e a maioria da população».
Lembrando anteriores medidas com igual insensibilidade social como o corte no 13.º mês «a centenas de milhares de famílias», o MUSP garantiu que «promoverá, em conjunto com as populações, as acções de protesto, indignação e oposição» que considere adequadas.
Combater espoliações
Os aumentos de tarifas são «um roubo aos utentes que merece uma forte resposta de indignação daqueles que, pelas mais diversas formas estão a ser espoliados, diariamente, de parte significativa dos seus salários», acusou o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, salientando que na CP, o aumento chega a ser de 25 por cento.
Lembrando que nos últimos 30 anos, sucessivos governos «têm passado responsabilidades suas para as empresas públicas que se viram obrigadas a endividarem-se», o SNTSF/CGTP-IN lembrou que aquelas empresas «pagam, todos os anos, mais em juros de dívidas do que em salários». Preocupado com a intenção de redução de trabalhadores, o sindicato avisou que também está prevista uma «redução de serviços», medidas que agravarão, para os utentes, «os custos das políticas erradas seguidas no sector». Para os ferroviários, e ao invés dessas medidas, o País precisa «de um incentivo à utilização do transporte público, que teria menor custo energético, menores custos económicos e seria mais amigo do ambiente».