Crime contra os Estaleiros de Viana do Castelo
Após uma audiência com a Comissão de Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana, Heloísa Apolónia, deputada do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), entregou uma pergunta na Assembleia da República questionando o Governo sobre o Plano de Reestruturação dos Estaleiros de Viana do Castelo.
A empresa terá de subcontratar mão-de-obra mais desqualificada
Uma situação que merece uma resposta «urgente», dada a situação de ameaça de despedimento em que se encontram os trabalhadores destes estaleiros, que têm alertado, há mais de 20 anos, para a necessidade de reestruturação da empresa, sustentada no saber consolidado da sua mão-de-obra e na potencialidade de aumentar a carteira de encomendas que se tem revelado robusta, com potencial para crescer.
«Os trabalhadores têm assistido a alguns episódios de duvidosa gestão correcta para a empresa, que têm gerado um passivo evitável, o que leva à questão legítima de saber quais são as verdadeiras intenções das diversas administrações que por ali têm passado ao longo dos anos», salienta, no documento, a deputada ecologista, informando que, no dia 20 de Junho, «os trabalhadores dos estaleiros foram confrontados com um plano de reestruturação da empresa (que custou largos milhares de euros), apresentado pela actual administração, que, sem ter envolvido os trabalhadores, determina o despedimento de 280 dos 720 que ali trabalhavam à data».
Crescimento elevado
Os Estaleiros de Viana do Castelo têm uma potencialidade de crescimento muito elevada. Na última década conseguiram um volume de negócios correspondente a cerca de 1 389 000 000 euros, um volume de exportações na ordem dos 1 085 000 000 euros, construindo uma média de oito navios por ano e reparando uma média de 52 navios anualmente. Só em 2011 já foram realizadas reparações de 30 navios. Esta empresa de indústria naval tem, neste momento, uma carteira de trabalho correspondente a 500 milhões de euros para os próximos quatro anos.
Neste sentido, a proposta de despedimento dos trabalhadores torna-se absolutamente inaceitável. «A forma como estas estratégias são concretizadas são sempre demonstrativas da falta de razão e da falta de sustentação das propostas, na medida em que são sempre feitas pela calada e depois apresenta-se como facto consumado», denuncia Heloísa Apolónia, frisando que este é um problema local, mas também com consequências para o País, uma vez que os Estaleiros de Viana do Castelo são «uma componente estrutural da indústria naval em Portugal».
Bombarral
Escola encerrada em S. Mamede
Por seu lado, José Luís Ferreira, também do PEV, questionou o Executivo PSD/CDS sobre o encerramento da Escola EB1 de S. Mamede, no concelho do Bombarral, que foi renovada em 2008 para assegurar as boas condições de ensino até à conclusão do Centro Educativo na Roliça, previsto para 2012.
«O número de alunos que frequenta esta escola não chega a 21, mas poderia ficar muito perto se não deixassem de aceitar matrículas para o próximo ano lectivo», salienta o deputado, dando conta de que «estes alunos» vão passar para a Escola de Baraçais «que não reúne as melhores condições, em virtude de não ter refeitório e faltarem salas para actividades extra-curriculares, o que irá obrigar estas crianças a percorrer algumas centenas de metros até ao Clube Desportivo para tomarem as suas refeições, independentemente das condições meteorológicas».