Afeganistão

Fome, violência e corrupção

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas vai cortar a ajuda alimentar a cerca de três milhões de afegãos em metade das 34 províncias do país. A falta de 140 milhões de euros justifica a medida, informaram responsáveis do PAM citados pela AP.

A carência alimentar generalizada e a dependência da população face à ajuda internacional é apenas um dos problemas que o Afeganistão enfrenta desde o início da invasão e ocupação norte-americana. Outro é a violência crescente.

Ainda na semana passada, um atentado contra um hospital em Azra, junto à fronteira com o Paquistão, matou pelo menos 60 pessoas, deixou dezenas de outras feridas e destruiu quase por completo aquela unidade de saúde.

O atentado que vitimou sobretudo trabalhadores do hospital foi perpetrado dois dias depois dos EUA terem anunciado a retirada de cerca de 30 mil soldados do território nos próximos 15 meses, mas um dos habituais porta-vozes do movimento talibãn veio demarcar-se prontamente da acção.

«Esta é uma acção cobarde e inumana levada a cabo pelos inimigos da paz», disse Zabihulá Mujahid, que, horas antes, já havia rejeitado qualquer responsabilidade quanto a um atentado que matou nove civis e um polícia na província de Kunduz.

À fome e à violência acresce a corrupção promovidas pelas mais altas esferas de poder. Segundo um relatório assinado pelo Grupo de Crise Internacional, a economia afegã é dominada por «uma oligarquia criminosa de empresários politicamente bem relacionados».

O texto conjuga com um documento apresentado no início deste mês no senado norte-americano, onde se afirma que os contribuintes norte-americanos já gastaram em programas de ajuda ao Afeganistão quase 19 mil milhões de dólares desde 2001, mas a falta de controle sobre a aplicação destes fundos leva a crer que o país continue mergulhado no subdesenvolvimento e na falta de perspectivas económicas.

Nos cálculos do Senado não entram os mais de cinco mil milhões de dólares gastos todos os meses com a campanha militar.


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