«Os Verdes» alertam para tempos difíceis
Nas últimas eleições, a CDU vê reforçado o número de deputados eleitos, o que representa um voto de confiança na Coligação entre o PCP e o PEV.
PSD e o CDS não abrem caminho para um rumo diferente
Em nota de imprensa, depois de analisar os resultados eleitorais, a Comissão Executiva Nacional do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), reunida em Lisboa, salientou que a «campanha de forte esclarecimento», agregada ao «trabalho desenvolvido no decurso da passada legislatura, de forte determinação, denúncia e apresentação de propostas sustentáveis para o País», levou «à consolidação» do resultado alcançado. Para tal «concorreram não apenas dezenas de candidatos da CDU, mas também milhares de simpatizantes e activistas que generosamente se prestaram a um amplo esforço de esclarecimento e de contactos directos e regulares com a população».
No documento enviado às redacções, o PEV considera ainda «preocupante a campanha tendenciosa verificada nalguns meios de comunicação social, nos discursos de diversos e variados comentadores e "politólogos", prestando a ideia de que estaria a escolher um primeiro-ministro e a decidir entre Sócrates e Passos Coelho, contribuindo assim para uma ideia de voto útil que só beneficia os partidos a que confusamente entenderam chamar de "arco do poder"». Estes meios contribuíram ainda, segundo os ecologistas, para vincar a ideia, tão cara ao PS, PSD e CDS, de que «o memorando da «troika» era algo inevitável, o que, inegavelmente, poderá ter condicionado o voto de muitos portugueses».
Relativamente à derrota eleitoral do PS, «Os Verdes» constatam que «não há maioria parlamentar e de governo que se sustente quando governa contra o povo».
«Estamos em crer que o resultado eleitoral do PSD e do CDS não se sustenta tanto numa crença de viragem política, mas antes numa necessidade imediata de penalização do PS pelas políticas prosseguidas. O PSD e o CDS não abrem caminho para um rumo diferente de orientações políticas, antes as irão consolidar, o que leva o PEV a crer que, a muito curto prazo, o descontentamento será profundamente demonstrado pela generalidade dos portugueses, designadamente quando as medidas da troika começarem a produzir os seus efeitos (perda de poder de compra, recessão e aumento substancial do desemprego)», referem os ecologistas, que, na Assembleia da República, continuarão a denunciar as atrocidades políticas cometidas e apresentarão propostas alternativas que conduzam o País a «uma lógica de desenvolvimento económico, sustentado numa base de políticas sociais consolidadas».