Comentário

LUTAR, LUTAR SEMPRE

Maurício Miguel

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É conhecido e reconhecido que fizemos uma grande campanha de massas. Uma campanha com um traço distintivo de todas as outras: a CDU foi a única força a falar verdade aos trabalhadores e ao povo português; a única que não transformou esta campanha numa novela de um diz que disse e zangas de comadres ofendidas para fugir ao debate do essencial. A CDU foi a única força que de forma coerente recusou toda a ingerência externa e qualquer forma de subserviência aos interesses das grandes potências da UE. Tudo isto apesar da tentativa de apagamento e deturpação da campanha da CDU pela comunicação social dominante. Alertámos para a encruzilhada em que se encontra o nosso País e para a necessidade de uma ruptura com a política de direita que ao longo de mais de 30 anos nos desgoverna. E para a mudança, porque necessitamos de mudar de política e deste rumo que continuará a afundar o país. A CDU foi a única força que alertou para o significado do programa da troika estrangeira (UE, BCE e FMI) que a troika nacional (PS, PSD e CDS/PP) assinou e que tem um único objectivo: aumentar lucros do capital nacional e estrangeiro, atacando os direitos e conquistas sociais dos trabalhadores e do povo português, para fazer andar para trás a nossa vida e o nosso país. Um andar para trás que não é uma inevitabilidade. É uma clara opção pela tentativa de salvar o capitalismo neste momento de profunda crise. Os trabalhadores e o povo português terão sempre a última palavra sobre tudo o que lhe quiserem impor. Todas as medidas previstas no programa das troikas terão que ser discutidas e aprovadas. Uma a uma.

A questão que se coloca depois de realizadas eleições é a de saber que «legitimidade» tem este poder (exercido por partidos que não falam verdade, e escondem as opções existentes para fazer sair o nosso País da situação em que se encontra) quando acentua a subordinação à UE e FMI? Que legitimidade tem este poder quando se compromete com o congelamento do salário mínimo e desvalorização geral de salários e pensões, com a facilitação e o embaratecimento dos despedimentos, com o aumento de impostos, o aumento da energia, aumento das taxas moderadoras e a diminuição da comparticipação nos medicamentos? Que legitimidade têm estes partidos quando querem impor cortes significativos na saúde, educação, justiça, administração regional e local e encerramento e concentração de serviços, redução de milhares de postos de trabalho na administração pública? Que legitimidade têm quando a parte de leão do dinheiro que chega a Portugal vai directamente para a capitalização da banca, depois de os accionistas terem colocado milhões de lucro no bolso, quando o país necessita de investimento para criar riqueza e emprego na produção industrial, agrícola e das pescas? Que legitimidade têm quando aceitam a imposição de um programa externo que nos amarra às prioridades e interesses do grande capital internacional que o FMI e a UE representam e não os interesses do povo português? E que legitimidade tem um programa que pede mais sacrifícios à maioria dos portugueses, para que o grande capital nacional e internacional continue a meter dinheiro ao bolso?

Nenhuma.

A condição imediata para a saída da crise e para o progresso no nosso País passa pela rejeição do programa das troikas nacional e estrangeira. O País tem recursos e formas de sair da crise que apenas exigem vontade política. Um dos méritos da campanha «Portugal a Produzir» que o nosso partido desenvolveu foi a elevação da consciência do povo português em relação aos constrangimentos e impedimentos que resultam para o desenvolvimento da produção nacional da política de direita e da sua subserviência aos ditames da UE. Cresce também a consciência de que um país sem produzir hipoteca o seu presente e o seu futuro. É também tempo de aprofundar a reflexão e a proposta sobre se a participação de Portugal no processo de integração na Europa, subordinado às grandes potências e aos interesses do grande capital nacional e internacional, serve os interesses do nosso povo ou não.

A mudança de política não depende apenas do resultado de eleições. Depende da vontade de todos nós, aqueles que caminhamos por cima desta terra. Depende de um fazer agora, nas condições actuais, a luta que impeça o retrocesso e abra caminho à transformação social. Trazer para a luta essa força imensa que pode ser a unidade de todos aqueles que trabalham e são explorados por este sistema.



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