O agravar das desigualdades
A crise económica veio causar um retrocesso no combate às desigualdades, tanto a nível de emprego como a nível salarial e até de condições de trabalho. A constatação é da Organização Internacional de Trabalho (OIT), que denuncia ainda o facto de as perspectivas do mercado de trabalho para os jovens e para as mulheres terem piorado em consequência da actual crise, dado serem as camadas mais afectadas pelo aumento do desemprego e pela discriminação salarial.
O impacto da discriminação salarial na pobreza é também referido no relatório que a OIT apresentou no dia 27, em Lisboa. Revelada, a este propósito, é a existência de estudos que mostram que sempre que é eliminada a discriminação laboral com base no sexo, a percentagem de pessoas em situação de pobreza tende a diminuir cerca de dez por cento.
A presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, em declarações à Lusa proferidas nesse mesmo dia, reconhece que continua a existir discriminação salarial no nosso País, apesar de alguns progressos, com os salários das mulheres em média a corresponder a 82,2 por cento dos salários dos homens.