Forte adesão à greve na Função Pública

Resposta corajosa e necessária

Vencendo coacções e ameaças, mais de 60 por cento dos funcionários públicos convocados para a greve de dia 6 repudiaram as medidas de austeridade e o «maior ataque aos direitos dos trabalhadores desde o fim do fascismo».

Os trabalhadores recusam mais sacrifícios

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As medidas já conhecidas e anunciadas, constantes no memorando de entendimento da troika BCE/FMI/UE, com a conivência e acordo da troika PS, PSD e CDS, «são o maior ataque contra os trabalhadores, os reformados, o povo e o País desde o fim do fascismo, a 25 de Abril de 1974», refere a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública em nota de imprensa emitida na véspera da greve na Função Pública.

Em hospitais, centros e serviços de saúde, tribunais, serviços da Segurança Social, escolas, na Câmara Municipal de Lisboa e no Arsenal do Alfeite, mais de 60 por cento dos cerca de 250 mil trabalhadores abrangidos pelo pré-aviso cumpriram um dia de luta contra o congelamento e os cortes nos salários, o aumento de impostos, a precariedade, os despedimentos, as privatizações e as medidas de austeridade que venham a ser impostas pelo BCE/FMI/UE, com a conivência do PS, do PSD e do CDS, explicou Ana Avoila, coordenadora da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP/CGTP-IN), em conferência de imprensa.

Convocada pela FNSFP, o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, o Sindicato dos Trabalhadores dos Estabelecimentos Fabris das Forças Armadas, o Sindicato dos Funcionários Judiciais, a Federação Nacional dos Médicos e pelos sindicatos da UGT (FESAP e STE) a greve não abarcou a totalidade dos funcionários públicos. Professores, enfermeiros e trabalhadores das autarquias não aderiram, embora os respectivos sindicatos de classe (CGTP-IN) tenham manifestado total solidariedade com esta luta.

Em Lisboa, os trabalhadores no Município deixaram a cidade quase sem recolha de lixo, graças a uma adesão de 70 por cento, saudada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, STML/CGTP-IN. Dos 70 circuitos de recolha de lixo apenas 25 foram cumpridos, revelou o sindicato, a respeito de um sector onde os trabalhadores decidiram prolongar a greve até domingo passado, também por motivos sectoriais. A Câmara de Lisboa decidiu recentemente suspender os concursos que estavam previstos para cerca de 300 cantoneiros e motoristas da limpeza urbana, desrespeitando um compromisso assumido junto do STML, em 2009, que garantia a entrada daqueles funcionários no quadro e uma ansiada uniformização dos horários de trabalho.

Em sete dos dez quartéis do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa a adesão foi total, revelou o sindicato.

Nas urgências hospitalares a adesão foi também total, tendo os trabalhadores cumprido integralmente com os serviços mínimos acordados. Como exemplos da forte participação, a FNSFP destacou a adesão, a cem por cento, dos trabalhadores dos hospitais de S. Francisco de Xavier, S. José, Amadora-Sintra e de Dona Estefânia, em Lisboa. Total foi ainda a participação dos trabalhadores das urgências dos hospitais da Covilhã e da Universidade de Coimbra, enquanto nos hospitais de Santa Maria, em Lisboa, e de Coimbra, a participação se situou nos 85 por cento. O de Aveiro registou adesões de 80 por cento, e o de Tondela de 60 por cento.

No Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM a adesão também foi de cem por cento.

Na repartição da Segurança Social, no Areeiro, em Lisboa, uma longa fila de utentes com quase 70 metros, em torno do edifício, demonstrou os efeitos da forte adesão.


Ameaças e ilegalidades


Embora mais de cem escolas tenham encerrado, os auxiliares da acção educativa foram pressionados para não aderirem à luta em várias escolas e ameaçados com faltas injustificadas, motivo que levou a FNSFP e o seu Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Centro a protestarem, em comunicados, contra estas ilegalidades e contra constatadas tentativas de substituição de trabalhadores em greve, comportamento que foi inclusivamente confirmado pelo presidente da Associação Nacional dos Dirigentes Escolares, Manuel António Pereira. Em declarações à imprensa na véspera da greve, aquele responsável expressou a intenção de substituir auxiliares por professores, para «contornar» os efeitos da luta, em flagrante violação da Lei.

A federação também detectou que algumas autarquias informaram erradamente os trabalhadores não docentes das escolas, dizendo-lhes que não estavam abrangidos pelo pré-aviso.

Nos tribunais, os funcionários judiciais cumpriram a greve, também por motivos sectoriais enunciados pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais, designadamente o desinvestimento nos meios técnicos e humanos nos tribunais, a menor capacidade de funcionamento daí decorrente e a lentidão na Justiça tornando-a mais injusta e ineficaz, explicou à Lusa o presidente do sindicato, Fernando Jorge.

Para a federação, as medidas de austeridade vieram dar «ainda mais motivos para a participação na luta nacional convocada pela CGTP-IN para dia 19, em Lisboa e no Porto».





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