Mariano Almeida
Dezenas de pessoas compareceram, no dia 7, no cemitério dos Olivais, em Lisboa, nas cerimónias fúnebres de Mariano Almeida, funcionário do Partido há longos anos. Um dedicado militante que a morte levou cedo demais, aos 61 anos, em resultado de um acidente vascular cerebral. Entre eles estavam familiares (entre os quais a mãe, a companheira e as duas filhas), camaradas de Partido e amigos, muitos amigos.
Foi com emoção que todos escutaram as palavras de Luísa Araújo, do Secretariado, que se referiu àquele acto como sendo triste, «porque é fúnebre e de despedida», mas ao mesmo tempo e sobretudo de «fraternidade, de respeito, de reconhecimento pela entrega da sua generosidade, inteligência, emoção e consciência à classe operária, aos trabalhadores e ao Partido que abraçou desde jovem». A dirigente do PCP salientou que os presentes recordarão sempre o «amigo que reflectia as suas origens populares nas análises, nos confrontos, no humor. O amigo com momentos mordazes e de irreverência».
Na nota do Secretariado da Comissão Concelhia do Barreiro, realça-se as origens populares e operárias de Mariano Almeida, nascido em Lisboa, num pátio popular de Alcântara – onde passou a sua juventude. Cedo começou a trabalhar na Sociedade Comercial Romar, tendo feito parte da Comissão de Trabalhadores da empresa, entre 1977 e 1983, e tendo sido igualmente delegado sindical. Trabalhou, depois, como empregado de comércio da Baixa de Lisboa. Foi ainda dirigente do Clube Desportivo da Cova da Moura e integrou o Secretariado das Colectividades de Campo de Ourique. Mobilizado para a Guerra Colonial, esteve em Moçambique.
Membro do PCP desde 1974, pertenceu ao Secretariado da Comissão de Freguesia dos Prazeres do PCP entre 1975 e 1988, ano em que fez a opção de ser funcionário do Partido, que manteria até ao final da sua vida. Durante vários anos, assumiu tarefas centrais de apoio junto do Secretariado do Comité Central.
Nos últimos anos, como salientou Luísa Araújo, «optou para si, para a sua vida e residência o Barreiro, terra de tradições revolucionárias e aqui iniciou uma nova experiência de Partido, mais uma como revolucionário profissional» – integrava o Executivo e o Secretariado da Comissão Concelhia do Barreiro, onde assumia a responsabilidade pela Festa do Avante! e pela organização do Partido na freguesia da Verderena. «A vida não o deixou continuar», lamentou Luísa Araújo.