A maior mobilização de massas desde a greve geral

Mudança profunda nasce na luta

No sábado, dia 19, durante mais de três horas, o centro de Lisboa foi fechado ao trânsito e as principais vias encheram-se com muitos milhares de trabalhadores, que responderam ao apelo da CGTP-IN e fizeram do «dia de indignação e protesto» a maior manifestação realizada no País depois da greve geral de 24 de Novembro. A resposta ao novo PEC deu mais força à exigência de profunda mudança de rumo, na política nacional e na União Europeia. Para isso, a luta vai continuar.

Há que construir uma alternativa política coerente, que rompa com as alternâncias

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O compromisso – apontado já ao próximo dia 1 de Abril, com a manifestação nacional da juventude, às comemorações do 25 de Abril e à celebração do 1.º de Maio, e que tem repetida e consistente afirmação, dia a dia, nas inúmeras lutas travadas nas empresas, nos serviços, nos sectores e regiões – ficou expresso na resolução final e nas intervenções de Manuel Carvalho da Silva, Ana Avoila, Fátima Messias e Anabela Laranjo, na Praça dos Restauradores. Mas a determinação de lutar – contra uma política que vem exigir mais e mais sacrifícios injustos, e por uma alternativa de desenvolvimento, valorização do trabalho e justiça social – viu-se nos rostos de quem marchou desde a Praça do Duque de Saldanha ou desde o alto da Rua Joaquim António Aguiar. Nestes dois pontos começaram por se concentrar trabalhadoras e trabalhadores de empresas e sectores da indústria, comércio e serviços, e dos vários sectores da Administração Pública – e também representações das estruturas distritais, locais e sectoriais da CGTP-IN, da Interjovem e do movimento de reformados, de movimentos de utentes da saúde, do Movimento Democrático de Mulheres... e muitas pessoas que participaram na manifestação sem mostrarem a pertença a este ou àquele grupo. De jovens e idosos, de famílias com todas as gerações, de profissões e regiões muito diversas, com várias palavras de ordem comuns e outras mensagens mais «personalizadas», vestidos para um sábado de sol ou trajados com «fardas» a condizer com os motivos de ali estarem – a manifestação foi crescendo, descendo a Avenida da Liberdade, ocupando ambas as faixas, num movimento firme e sereno. Tal como sucederia nas notícias, também nos discursos e nas conversas se registava com contentamento que, pelo segundo sábado consecutivo, ali corria farto um rio de protesto justo de quem mais sofre com a política realizada nas últimas três décadas e meia por governos do PS e do PSD. Tal como tinham feito na manifestação da «geração à rasca», também aqui compareceram e actuaram, na rua e no palco, os «Homens da Luta» e Vitorino. Muitos mais seriam, certamente, os repetentes – como a faixa azul a proclamar que «todos somos trabalhadores, precários são os vínculos».

Perto do centro de trabalho Vitória, Jerónimo de Sousa e vários outros dirigentes e deputados do PCP saudaram a passagem dos manifestantes e foram efusivamente saudados, até se integrarem no desfile, já quase no final deste. Chegaram aos Restauradores ainda a tempo de aplaudir as frases finais de Carvalho da Silva e da resolução – conclusões que foram apoiadas e sublinhadas por muitos milhares de vozes, repetindo o que se tem por tão certo quanto necessário: «A luta continua!»

 

Ampliar e reforçar

 

A condenação do novo PEC, por mostrar a falência da política que produziu os anteriores e por constituir, ele próprio, «uma autêntica declaração de guerra aos trabalhadores, aos desempregados, aos pensionistas e reformados», foi acompanhada da rejeição das propostas que o PSD avança. Na resolução declara-se que «o País precisa de políticas diferentes, de desenvolvimento, de mais justiça social, de mais igualdade, de respeito por quem trabalha». Para a CGTP-IN, «a solução não passa pelo programa para a “competitividade e o emprego”, que entrega mais dinheiro aos grandes empresários, facilita os despedimentos, diminui as indemnizações, corta no subsídio de desemprego, aumenta a precariedade, desregula os horários de trabalho, reduz a retribuição e põe em causa o direito de contratação colectiva».

Nas decisões e perspectivas futuras contidas na resolução, traça-se o caminho para «uma mudança profunda de políticas em Portugal».

Depois de «saudar todos os trabalhadores e trabalhadoras das empresas do sector empresarial do Estado, do sector privado e da Administração Pública, que têm lutado com determinação e coragem e dado dimensão colectiva à sua indignação e protesto, nos locais de trabalho, nas lutas sectoriais, nas lutas regionais ou nas lutas sociais», reafirma-se o apelo a «uma cada vez maior unidade na acção, intensificando o esclarecimento e a mobilização, a partir dos locais de trabalho, visando responder aos problemas concretos dos trabalhadores».

Em simultâneo, vai prosseguir a luta «contra as políticas de direita, pela construção de uma alternativa política coerente, que rompa com as alternâncias, responda às necessidades e anseios dos trabalhadores e das suas famílias e ao desenvolvimento económico e social do País». Merecem incentivo «as lutas dos trabalhadores de todos os sectores, regiões e empresas, designadamente dos trabalhadores das empresas de transportes e comunicações, da função pública, da administração local; do ensino; da saúde; da metalurgia; da energia; da indústria naval; da química; do tratamento de resíduos sólidos; do comércio e serviços; da banca e dos seguros; da alimentação, hotelaria e cantinas; da indústria tabaqueira; da construção, cerâmica, cimento e vidro; da limpeza e vigilância; dos têxteis, vestuário e calçado; das pescas».

Como prioridade ficou definida «a intensificação da luta dos jovens contra a precariedade e o desemprego, assinalando o Dia Nacional da Juventude, com a realização de uma grande manifestação no dia 1 de Abril, em Lisboa».

Por fim, o movimento sindical vai «participar e apoiar activamente as mobilizações para as comemorações populares do 37.º aniversário do 25 de Abril» e vai «fazer das comemorações do 1.º de Maio da CGTP-IN uma jornada nacional imensa e um expoente da luta social e política, por uma mudança de rumo que valorize o trabalho, dignifique os trabalhadores e coloque Portugal no caminho do progresso e justiça social».



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